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Brasil: Justiça veta censura homofóbica de Crivella na Bienal do Livro do Rio

América del Sur/Brasil/El País

Após visitar a feira e encontrar um romance gráfico em que dois heróis se beijam, prefeito mandou fiscais ao local em busca de materiais «impróprios» para crianças.

Uma cena inédita na história da Bienal do Livro do Rio de Janeiro surpreendeu editores e provocou uma reação em massa contra a tentativa de censura no Brasil: um grupo de fiscais da Secretaria Municipal de Ordem Pública percorreu, no início da tarde desta sexta, os estandes do evento para recolher livros com temas ligados à homossexualidade. Eram liderados pelo coronel Wolney Dias, ex-comandante da Polícia Militar e atual subsecretário de operações da Secretaria Municipal de Ordem Pública do Rio. E estavam ali por determinação do prefeito Marcelo Crivella, que havia visitado o evento um dia antes e se escandalizou com o romance gráfico da Marvel Vingadores, a cruzada das crianças. A obra contém a história do casal Wiccano e Hulkling. Em uma das páginas, eles se beijam. São homens. O prefeito, evangélico conservador, considerou a cena inapropriada e determinou que a obra fosse retirada das prateleiras, mas a organização recusou —e, mais tarde, a Justiça proibiu. Os livros, no entanto, desapareceram em poucas horas. Assim que a polêmica ganhou as redes, todos os exemplares que estavam disponíveis foram comprados.

«Livros assim precisam estar embalados em plástico preto lacrado e do lado de fora avisando o conteúdo», afirmou Crivella, em um vídeo publicado em seu Twitter. O prefeito argumentou a necessidade de «proteger as crianças» para que elas não tenham «acesso precoce a assuntos que não estão de acordo com suas idades«. As declarações do político, somadas à atuação dos fiscais, geraram um levante em massa de livreiros e editoras, que consideraram o ato uma grave ameaça para a liberdade de expressão. «Isso nunca havia acontecido na Bienal», disse com perplexidade ao EL PAÍS Flávio Moura,  editor da Todavia, que participa da Bienal. «Não há eufemismo pro que aconteceu. É uma tentativa horrorosa de censura», completa.

Os fiscais chegaram ao Riocentro, local onde acontece o evento, por volta de meio dia. Tinham a tarefa de buscar materiais «com cenas impróprias a crianças e adolescentes» de forma aleatória nos estandes. Deveriam recolher as publicações que não estivessem de acordo com a exigência do artigo 78 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que diz: «as revistas e publicações contendo material impróprio ou inadequado a crianças e adolescentes deverão ser comercializadas em embalagem lacrada, com a advertência de seu conteúdo». De acordo com a secretaria, se enquadrariam neste artigo materiais «pornográficos» ou «obscenos». Não encontraram nada «além de muitos livros», como disse o próprio coronel que liderou a fiscalização.

Marcelo Crivella

@MCrivella

Pessoal, precisamos proteger as nossas crianças. Por isso, determinamos que os organizadores da Bienal recolhessem os livros com conteúdos impróprios para menores. Não é correto que elas tenham acesso precoce a assuntos que não estão de acordo com suas idades.

Vídeo incorporado

21,6 mil pessoas estão falando sobre isso

Após a saída dos fiscais, as editoras fizeram uma série de manifestações em repúdio ao que consideram um ato de censura em suas redes sociais. A editora Todavia repudiou a ideia de que existam livros impróprios. «A fiscalização de livros remete a uma era sombria de nossa história, e seguiremos publicando e vendendo livros que exprimem nossa visão plural de mundo e do Brasil, direito esse amparado pela Constituição, afirmou no Instagram.

E a editora Intrinseca, por sua vez, disse repudiar todo e qualquer tipo de discriminação ou censura. «Como sempre, nos posicionamos à favor da liberdade de expressão e da diversidade. Se você estiver na Bienal do Livro este ano, poderá encontrar em nosso estande vários livros com temática LGBT+», publicou no Twitter. A própria Bienal chegou a emitir uma nota no mesmo dia da visita de Crivella. Nela, destacou que o festival tem um caráter plural. «Todos são bem-vindos e estão representados. Inclusive, no próximo fim de semana, a Bienal do Livro terá três painéis para debater a literatura Trans e LGBTQA+», diz a nota do evento. A Companhia das Letras seguiu na mesma linha. “Ficamos orgulhosos com a posição da organização da Bienal do Rio em defesa da liberdade de expressão e da diversidade. Ela mostra com dignidade a vocação e vontade dos editores», afirmou Luiz Schwarcz, CEO e fundador da Companhia das Letras.

atitude de Marcelo Crivella não é isolada. Três dias antes, o governador de São Paulo, João Dória, havia mandado recolher das escolas estaduais paulistas um material didático de Ciências para adolescentes de 13 anos que, segundo ele, fazia apologia à «ideologia de gênero». Ele se referia a uma apostila que continha o texto Sexo biológico, identidade de gênero e orientação sexual, com uma explicação sobre as diferenças entre os termos “transgênero”, “homossexual” e “bissexual”. No mesmo dia da determinação de Dória, o presidente Jair Bolsonaro —que já havia se envolvido em uma polêmica no período pré-eleitoral por mentir sobre livro de educação sexual que integraria o que chamou de kit gay nas escolas públicas— pediu ao Ministério da Educação para elaborar um projeto de lei contra o que chama de «ideologia de gênero» no Ensino Fundamental. Editores veem esses atos como uma grave ameaça à liberdade de expressão.

«Posturas como a do prefeito Marcelo Crivella e do governador João Doria tentam colocar a sociedade brasileira em tempos medievais, quando as pessoas não tinham a liberdade de expressar suas identidades», argumenta Luiz Schwarcz. «Eles desprezam valores fundamentais da sociedade e tentam impedir o acesso à informação séria, que habilita os jovens a entrar na fase adulta mais preparados para uma vida feliz«, acrescenta. Para o fundador da Companhia das Letras, medidas como estas, somadas à suspensão, em 21 de agosto, de um edital que daria apoio à produção de filmes LGBTQ+ por parte do Governo Federal, representam uma perigosa ascensão do clima de censura institucional no país.

O editor Flávio Moura, da Todavia, concorda. «A situação é muito alarmante, por isso muitas editoras estão se manifestando», explica. Sobre o caso da Bienal do Rio de Janeiro, ele argumenta que a prefeitura não tem poder para instituir nenhum tipo de veto ou classificação às obras. «O que aconteceu é algo completamente arbitrário, e o mais triste é que não seja um episódio isolado. Este é mais um ataque em um país que vem sofrendo com este tipo de ascensão da censura. São episódios lamentáveis e inadmissíveis que lembram o pior tempo da historia do Brasil», afirma Flávio Moura. Ele diz que os editores seguem monitorando a atuação da Secretaria Municipal de Ordem Pública do Rio de Janeiro e que continuarão publicando livros que tragam visões de mundo diversificadas. «Agora é continuar publicando obras que contribuam para mostrar que a liberdade é um valor inegociável. O papel das editoras também é este», finaliza.

No início da noite, o prefeito Marcelo Crivella publicou um novo vídeo no Twitter, em que criticou o que considera uma «controvérsia da mídia» sobre sua atitude. «O que nós fizemos foi pra defender a família. Esse assunto tem que ser tratado na família. Não pode ser induzido, seja na escola, seja em edição dos livros, seja onde for. Nós vamos sempre continuar em defesa da família», justificou. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, por sua vez, discordou do argumento do prefeito e publicou, na noite desta sexta, uma liminar que impede a prefeitura de apreender livros na Bienal e de cassar o alvará do evento, outra das ameaças de Crivella. A polêmica colocou o prefeito carioca nos Trending Topics do Twitter, onde mais de 115.000 tuítes compartilharam a reação dele —e o desenho com o beijo de Wiccano e Hulkling. Milhares de brasileiros conheceram, assim, os vingadores gays da Marvel.

Em resposta a ação de Crivella, o youtuber Felipe Neto anunciou que distribuirá gratuitamente mais de 10.000 livros com temáticas LGBT durante a Bienal do Livro no Rio, neste sábado. A distribuição vai ocorrer ao meio dia, na praça da alimentação. As publicações serão envolvidos em plástico com um adesivo: «Este livro é impróprio para pessoas atrasadas, retrógradas e preconceituosas».

Fuente: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/09/06/politica/1567794692_253126.html

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María Fernanda Ampuero: «El sentimiento más autodestructivo es querer que tus padres te quieran»

Redacción: BBC Mundo

Dinamitar por dentro la institución sagrada de la familia. Despedazarla en trozos de perversión, encierro, secretos, cicatrices.

Eso es lo que hace María Fernanda Ampuero (Guayaquil, 1976) en su brillante debut en la ficción, el volumen de relatos «Pelea de gallos», que fue destacado por el The New York Times entre lo mejor de 2018.

«Mi ideal es que sea considerado un libro de terror, el género que mejor puede contar que estamos durante 18 o 20 años a merced de estas personas —la familia—, que a su vez estuvieron a merced de otras», dice. En una especie de cautiverio feroz.

Después de casi dos décadas fuera de Ecuador, pasando por Buenos Aires y Madrid, Ampuero acaba de volver a su país con una misión grande: dirigir el Plan Nacional del Libro y la Lectura, para llevar los libros a quienes piensa que más lo necesitan.

«Fui una niña salvada por la literatura; de la soledad, del ostracismo, del sentirme freaky y rara. Me gustaría acercarla a otros niños que se sientan así», explica.

También autora de los libros de crónicas «Permiso de residencia» y «Lo que aprendí en la peluquería», María Fernanda Ampuero participará en los diálogos del Hay Festival de Querétaro con su escritura implacable y hermosa.

BBC Mundo conversó con ella antes del festival.

Portada de "Pelea de gallos", de María Fernanda Ampuero.Derechos de autor de la imagenDIANA MASSIS
Image captionPortada de «Pelea de gallos», de María Fernanda Ampuero.

«Pelea de gallos» son 12 historias de familia: un padre que permite que su hija sea abusada, una madre que castiga, un hermano que tortura… ¿Cuánto hay de ti en este libro?

Soy de una familia de clase media ecuatoriana convencional: papá trabajando, mamá en casa, dos hermanos. Desde afuera, una familia bastante modélica, pero yo creo que todas las casas son embrujadas.

Cuando tus padres no piensan en que eres un ser humano que está observando el mundo, necesitando una palabra de aliento, un consuelo o simplemente que te dirijan la mirada, estás como secuestrada, porque tienes que vivir con ellos.

Como en el síndrome de Estocolmo, los quieres ¡y quieres que te quieran! Y, tal vez, es peor querer que te quieran que querer.

¿Te refieres a desear el amor de los padres?

El sentimiento más autodestructivo es querer que tus padres te quieran. Aunque no sean abusadores, ni violentos, ni te castiguen, sino todo lo contrario, te den comida en la mesa y te lleven a un colegio.

Ellos tienen a un ser que está todo el tiempo mirando, diciendo quiéreme, dime que soy importante, lo mejor que te ha pasado en la vida, es un poco de Frankenstein: el monstruo del doctor, ese hijo que le dice «¡acéptame! ¿por qué no me aceptas si tú me hiciste?».

Me parece que hay una cosa monstruosa en la relación entre padres e hijos.

María Fernanda AmpueroDerechos de autor de la imagenGUILLERMO MORÁN
Image caption¿Qué mejor lugar que un palenque para hablar de «Pelea de gallos»?

Parece ser la voz de una niña la que habla en la mayoría de los cuentos¿Por qué eliges esa mirada?

Es la niña que no se siente del todo aceptada, que experimenta cosas extrañas que la hacen sentir como monstruosa y a la que le enseñaron que el único valor que tenía una mujer era su hermosura.

Está esa sensación de fragilidad absoluta que tienes en la infancia, cuando se está formando tu autoestima, lo que vas a ser en el futuro. Es tan fácil destruir esa espina dorsal que aún es elástica.

Narra ese momento en la niñez en el que ibas a ser más feliz, sana, coherente, amorosa, empática, y algo o alguien torció ese camino, y para mí eso es la pérdida de la inocencia. Pero creo que es algo evitable. Por eso hay muchas cosas en el libro que son como ¡mira lo que les estás haciendo a los niños!

En «Subasta«, el aclamado cuento que abre el libro, cuando la hija mostraba debilidad frente al horror de las peleas de gallos, su padre le decía «mujercita». ¿Lo escuchaste muchas veces?

Tuve un debate con un grupo de lectura, porque ellos atacaban al padre, y para mí, dentro de su ignorancia o condición de padre soltero, la única manera de salvar a su hija era diciéndole que dejara de ser lo que ella era, que se endureciera.

Por eso la niña se da cuenta de que el asco es lo único que la va a salvar de que la violen —y cubre su cuerpo con las vísceras de los gallos muertos—.

A mí me decían lo contrario, que fuera más mujercita: siéntate bien, no seas respondona, anda limpia, no seas machona.

Ensalzar la femineidad como lo único a lo que tenemos que aspirar las mujeres, así fui criada. Lo contrario de esa niña, pero ella se salva y muchas de nosotras no.

En el cuento «Nam«, cuando la niña protagonista habla de la no aceptación, dice «lo mío es lo de siempre: gorda, morena, con lentes, peluda, rara». ¿Por qué esos adjetivos?

Básicamente me definen. Es como me consideré toda la vida y es bien doloroso.

Por eso te hablaba de una familia con abuelos, tías, comidas los domingos, supuestamente normal, pero con una cantidad de violencia no física incalculable.

Que le digas a una niña de 8 años «¡Ay mijita qué gorda que está!», «¡Ay qué pena, con lo linda que es de cara!», «¡Como tuviera el pelo de su mamá!»… Toda esa mierda destruye a los niños.

Las sobremesas destruyen a los niños. Crecí pensando que si fuese delgada mis padres me querrían más.

Tengo 43 años y cada vez que voy a Ecuador, pienso: «Estoy muy gorda. Mi mamá se va a sentir decepcionada». ¡Hasta el día de hoy!

A veces hablo con mis amigos, y les digo: «¡Que he salido en el New York Times! ¡No me jodas que porque tengo cinco libras para arriba, mi mamá no me va a querer tanto!».

María Fernanda AmpueroDerechos de autor de la imagenISABEL WAGEMANN
Image caption«Crecí pensando que si fuese delgada mis padres me querrían más», admite Ampuero.

¿Te ha causado mucho sufrimiento?

Ahora va a salir en España un libro que se llama «Tranquilas», una antología de lo que vivimos las mujeres en el espacio privado y en el público, historias en primera persona.

Ahí narro algo que nunca había contado claramente: una violación.

No la denuncié porque era una persona con la que había quedado y la cosa se puso violenta. No pude hacer nada, el tipo era enorme y básicamente me violó.

¿Cuál fue mi primer pensamiento cuando me levanté de la cama y fui al baño? ¿Debo ir a la policía a denunciar o qué ganas de matarlo? No, lo que pensé fue, claro, como soy tan gorda, se sintió decepcionado y tenía que castigarme. No le resulté atractiva cuando me desnudó. Lógicamente tenía que hacerme daño.

Yo me acuerdo, y mira que llevo años en el feminismo y eso hace un contrapeso brutal en ese pensamiento, pero no es una cosa de sicópata mía, es algo que piensan muchas mujeres: «no lo dejo aunque me haya roto el brazo y la quijada porque ¿quién más me va a querer?».

Está tan arraigado en nuestro espíritu y condición, que somos nuestro primer enemigo. Por eso la frase del cuento «Nam» es clave.

Cuando sus amigos la besan, la niña de «Nam« no lo puede creer…

Siente que no se merece que la besen o la toquen, porque es desagradable a la vista. Pero yo no nací creyendo que era eso. En mi WhatsApp tengo una foto disfrazada de la Mujer Maravilla.

Hasta el día de la foto, yo pensaba que era la niña más cool, perfecta y poderosa, brillante, lo máximo, capaz de hacerlo todo, como la Mujer Maravilla. Pero al poco tiempo, alguien me dijo que con ese traje se me veía la barriga, que eso era muy feo y había que ocultarla.

No lo volví a usar y ahora es todo un statement, porque yo quisiera volver a esa niña y decirle: «Eres increíble, eres buena, compasiva, empática, eres rápida».

Pero eso no se puede. Por eso estoy tan cabreada con las familias.

María Fernanda Ampuero

Guillermo Morán
El sentimiento más autodestructivo es querer que tus padres te quieran».
María Fernanda Ampuero

¿Existe la familia feliz?

No conozco a nadie con una familia convencionalmente feliz. Tengo amigas con padre alcohólico o que las abandonó por otra señora, madres que pegaban.

No sé si los juguetes rotos nos buscamos…

Tolstoi dice que todas las familias felices se parecen y las infelices lo son cada una a su manera.

Yo creo que se parecen porque son de ficción. No creo que exista una familia feliz.

¿Y por qué será que no existen?

Todo lo que es sagrado fácilmente conduce al fascismo. Me parece extremista, fundamentalista: honrar padre y madre, la ropa sucia se lava en casa.

Es peligroso que no podamos juzgar una institución tan importante para nuestras vidas, la más importante tal vez, porque incluso si eres huérfano, esa ausencia de padre y madre es un fantasma que está penando en toda tu historia.

Por eso pasan las cosas que pasan.

¿Cómo nadie habla de que hay niñas embarazadas por sus papás, abuelos, primos? Se han hecho estudios y es así.

Todo bien con la familia, pero un momentito, si yo sé que tu hermano le pega a su mujer ¿por qué me callo?

Esa suma de secretos de familia hacen a esta sociedad de mierda.

María Fernanda AmpueroDerechos de autor de la imagenQUITO CRÓNICO
Image captionAmpuero se declara «cabreada con las familias».

Cuentos como «Coro« y «Monstruos» reflejan la desigualdad y la explotación social. ¿Por qué lo haces con tanta crueldad?

Es el germen de muchos terrores.

En el cuento «Monstruos», Narcisa es un nombre real, aunque el relato no lo sea.

Narcisa fue una niña de 10 años que le regalaron a mis padres cuando se casaron.

En un mundo lógico, razonable y amoroso, tendría que haber sido mi hermana mayor, porque ellos la adoptaron; sin embargo, era la sirvienta.

¿Por qué? ¿porque tiene otro color, otro origen? ¿cuál es la lección que me estás dando? La lección es que hay gente que no importa.

Todas esas preguntas a mí me obsesionan, esas cosas desalmadas de la clase alta.

Me ha marcado mucho pensar en la desigualdad social, tal vez por mi experiencia como migrante, en que me convertí en el otro, en el que la pasa mal.

Y ya que lo has vivido en tu piel ¿cómo resolver la situación crítica de la migración en Latinoamérica?

Yo no sé resolver nada, pero estoy muy molesta con alguna gente en el Ecuador, porque nosotros hace apenas 20 años nos fuimos todos.

El país se cayó, perdimos nuestra moneda y los aviones eran como pateras voladoras de gente desesperada por sacar a su familia adelante, porque su familia se moría y que ahorita digan que la delincuencia es culpa de los venezolanos, que el gobierno debería ser más duro. ¡Qué horror!

Es como de malagradecidos. ¡Me da tanta ira!

Hablo de esto como ecuatoriana que emigró, no podemos tener tan poca memoria y el corazón tan duro. El gran trabajo pendiente que tenemos, por una cosa de humanidad, son los exiliados de hoy.

 

Edu León
Es peligroso que no podamos juzgar una institución tan importante para nuestras vidas (como la familia)».
María fernanda Ampuero

En «Crías«, una chica se enamora de su vecino y él le revela que los hámsteres se comen a sus crías. ¿Aquí se trasluce tu mirada del amor?

Es mi gran cuento amoroso. Un amor raro, lleno de perversidad, pero al mismo tiempo me enternece que estos dos outsiders se encuentren.

Ellos son las crías de los hámsteres, que han sido masticados por sus propios padres. Son fragmentos de personas que logran eso que es tan difícil, hacer que calce tu fragmento, tu pedazo roto, con el pedazo roto de otro.

Me gusta ese amor.

Yo sé que es un libro duro y hay gente que cree que es un libro sin luz ni esperanza, pero yo veo en ellos un tipo de amor: llegar a casa, encontrar tu lugar en el mundo.

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Ernesto Ryan, explica: ¿Qué es el estrés docente y cómo prevenirlo?

Por: La Diaria

La docencia es un trabajo de riesgo para contraer estrés y síndrome de burnout, según especialistas.

40% de las inasistencias de docentes en 2017 fueron certificaciones por enfermedad, según los datos del último Informe del Estado de la Educación en Uruguay del Instituto Nacional de Evaluación Educativa (Ineed). Según el informe, en el caso de los maestros 28,7% de los días de certificación por enfermedad se debió a motivos psíquicos, mientras que 12,8% correspondió a padecimientos relacionados con los huesos, articulaciones y músculos; el Ineed señala que “las certificaciones por afecciones psíquicas y osteomioarticulares aumentan con el transcurso del año lectivo, lo que evidencia el desgaste producto del avance del año”. En la Facultad de Psicología de la Universidad de la República trabajan con los docentes de primaria, tratando de prevenir y reducir el estrés. Darío de León, docente del Instituto de Psicología, Educación y Desarrollo Humano de la facultad, está a cargo de un curso de educación permanente que actualmente reúne a 30 profesionales de la educación, para analizar el desarrollo de su profesión y brindar herramientas de manejo del estrés. Sobre estos temas conversó con la diaria.

“La función docente genera mucho desgaste, está expuesta a muchos riesgos psicosociales, como el estrés o el síndrome de burnout”, comentó De León. El profesional explicó la diferencia entre ambos términos: “Todos tenemos estrés, y eso no es de por sí malo, es algo que genera una respuesta psicofisiológica a un determinado estímulo. El problema es cuando ese estímulo desborda la capacidad de respuesta. El estrés es entendido como un desbalance entre las demandas del medio y la capacidad de respuesta frente a esos estresores. Hablamos de burnout cuando esta situación se cronifica, es decir, cuando los síntomas perduran por lo menos seis meses, y esto no es algo que le pasa a cualquier trabajador, sólo sucede en los casos de personas que trabajan en relación con otros, por eso es muy común en la educación y la salud”.

Desde 2008 el equipo de la facultad investiga por qué los maestros se enferman y contraen el síndrome de burnout en una proporción tan alta. Comenzaron su trabajo con una hipótesis: “Los maestros que trabajan en contexto crítico tienen mayor riesgo de contraer este síndrome que aquellos maestros que trabajan en contextos altamente favorables”, pero esa idea se derrumbó. “Todos los docentes que participaron en un estudio cualitativo que hicimos comparando instituciones de contexto altamente favorable públicas, como las escuelas de práctica, y aquellas instituciones que se llamaban de contexto crítico, demostraron lo que la literatura expresaba: el ejercicio de la profesión docente es complejo, genera múltiples demandas y no importa tanto el contexto”, afirmó el psicólogo.

Dimensiones del burnout

  • Alto cansancio emocional: “Esa sensación de agotamiento crónico; todos tenemos un día en el que no podemos más, pero básicamente si lo tenemos por seis meses, ir a trabajar se vuelve una angustia”.
  • Alta despersonalización: “Se relaciona a un desgaste por empatía. Cuando vemos maestros con comportamientos no empáticos, que describen al niño como una cosa desafectivizada, estamos ante una despersonalización”.
  • Baja realización personal: “Es cuando los docentes sienten que su trabajo no vale para nada, que sin importar lo que hagan no van a cambiar nada”.

Uno de los factores que hace que los docentes sean una población de riesgo para el estrés y el burnout es que “en Uruguay el magisterio está muy asociado al apostolado: el maestro todo lo tiene que dar, tiene que servir y tiene que aguantar. La categoría de trabajador queda por fuera”, según De León, y agregó que “el mito del apostolado está reforzado por la perspectiva de género. Ningún ser humano puede con tres cosas a la vez, aunque sea mujer, pero es algo que las maestras tienen aprendido”.

¿Por qué se estresan los docentes?

“El maestro es el que padece el estrés, pero no es el responsable de esa situación”, detalló De León. Hay varios riesgos a los que están expuestos los docentes en su ejercicio laboral y entre ellos hay cuatro dimensiones que se analizan desde el campo de la psicología laboral. “Estas dimensiones tienen que ver con las condiciones y medioambiente de trabajo. No es una causa individual, es sistémica. Es cierto que cada persona interpreta un determinado estímulo, pero ese estímulo parte de las condiciones generales en las que se desarrolla la tarea”.

La primera dimensión que deteriora las condiciones de trabajo es la desvalorización social del rol docente: “Es una profesión que está devaluada, no sólo por el salario, sino también por el imaginario social. Eso impregna al docente”, señaló De León. Otra dimensión son las condiciones ergonómicas: “A los maestros no se les forma ni se tiene elementos para evaluar cómo manejar sus cuerpos, cómo manejar la voz, cómo levantar a niños pequeños. Gran parte de las inasistencias tiene que ver con esta dimensión de aspectos invisibilizados; se cree que el docente enferma porque es débil, porque no tolera el estrés, pero hay una serie de condiciones que hacen al medioambiente de trabajo y entre ellas las ergonómicas no suelen ser consideradas”, precisó.

La tercera dimensión que afecta el trabajo de los docentes es el diseño de la tarea. Esto se ve reflejado principalmente en las horas no pagas por las tareas extra aula, como la planificación, pero también en otras situaciones. “Tiene que ver con cómo se distribuyen las cargas del trabajo: un maestro que trabaja a tiempo completo, ocho horas, almuerza con los niños, por lo que sigue trabajando: ¿cuándo tiene la media hora?”, reflexionó De León. Otro factor que hace a la organización es la falta de autonomía para tomar decisiones relacionadas con su trabajo: “El sistema latinoamericano está estructurado de una manera jerárquica, los maestros sienten que no tienen la libertad de usar la opción didáctico-pedagógica que quieran. La autonomía docente es algo que escasea y es un estresor más en las prácticas cotidianas”.

La cuarta dimensión es psíquica: “El docente tiene que poder empatizar con el niño o adolescente con el que está trabajando. Hay determinados aspectos a nivel psicológico que despliegan una serie de mecanismos de regresión, el maestro tiene que, de alguna manera, intentar leer la emoción y el afecto de ese niño de tres o cuatro años. Eso hace que se genere un mecanismo de vulnerabilidad”, explicó De León. Al igual que en las dimensiones anteriores, la formación profesional no es suficiente: “Está circunscrita a aspectos didácticos y pedagógicos, pero estas otras dimensiones necesarias para cubrir la función, como es lo emocional, no están contempladas”, precisó.

Sobre la formación docente, De León dijo que sus expectativas están puestas en la Universidad de la Educación: “Estoy convencido de que se incorporarán estos temas. La educación emocional debe ser un contenido para que el maestro trabaje con los niños, pero también para que reflexione sobre su propio trabajo, porque él es su herramienta. Las estrategias de autocuidado y visualización de los riesgos psicosociales deben ser parte de la nueva malla curricular”.

Factores protectores

Para prevenir el burnout se tiene que dar una conjunción de herramientas “individuales, organizacionales y colectivas”, comentó De León, y agregó: “No hay recetas. El estrés se despliega y desarrolla en función de los estímulos y de las personas, pero lo que sí sabemos es que el docente que puede analizar su práctica en equipo y puede entender su función no solamente dentro del aula, sino también como trabajador, tiene menos elementos para poder contraer cualquiera de estos riesgos”. “El trabajo en equipo es la mejor herramienta de autocuidado que puedan desplegar”, resumió.

En el curso de educación permanente que trabaja estos temas, los psicólogos tratan de “desmitificar el rol, decirles que son trabajadores que tienen derechos y resaltarles las características y exigencias de su profesión”. La primera herramienta que presentan es justamente un espacio para poder reflexionar sobre esta condición de trabajador docente, para desde allí evaluar las experiencias de cada uno y analizar el contexto organizacional en el que están.

Luego se concentran en identificar dónde está el desgaste: puede estar en el vínculo con la tarea, con los compañeros, con los niños, con las familias o con el propio sistema educativo. “Cuando identificamos el desgaste lo podemos empezar a caracterizar, y a partir de allí evaluamos cuáles son las estrategias que despliega el colectivo para trabajarlo”, puntualizó De León.

Mindfulness: herramienta de autocuidado

En el curso de este año decidieron incorporar el mindfulness como una herramienta para trabajar en la atención plena. “Mindfulness significa prestar atención de forma deliberada al momento presente, elegir prestar atención a la realidad, con aceptación y sin juzgar”, explicó en diálogo con la diaria la licenciada en Psicología y en Educación Inicial Andrea Mihura, que trabaja en este curso junto a De León. “Planteamos esta herramienta como parte de los recursos a los que pueden apelar los docentes en situaciones de estrés, que sabemos que suceden regularmente”, destacó Mihura.

De León definió esta práctica como “una herramienta de reducción de estrés, que utiliza técnicas de meditación con el objetivo de desarrollar la atención plena en una sola cosa”. Según señaló, trabajan con los docentes para que puedan usar la concentración plena en reconocer sus emociones sin evadirlas y responder a ellas.

En pocas palabras, la práctica de mindfulness implica tomar conciencia de lo que se está haciendo y pensando. Normalmente la mente pasa por distintas imágenes de un momento a otro; cuando las personas son conscientes de lo que están pensando pueden aislar esas imágenes y reflexionar sobre ellas, una a una. Los efectos de esta práctica son la concentración, la serenidad y el aumento de la comprensión de lo que está sucediendo. Se trabaja con la respiración y con estrategias de meditación que lleven a la atención plena de lo que está pasando.

Mihura aclaró: “Para los docentes hay muchos beneficios, porque tienen la particularidad de tener que estar en muchas cosas a la vez. A través del mindfulness enseñamos otra manera de responder a situaciones de estrés: cuando estamos en piloto automático reaccionamos, mientras que con el mindfulness respondemos. Es una herramienta para anclarnos en el momento presente y poder responder a nuestras tareas”.

Fuente: https://educacion.ladiaria.com.uy/articulo/2019/9/que-es-el-estres-docente-y-como-prevenirlo/

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Deconstruir roles desde la niñez: los hombres protagonistas de la educación parvularia

Por: Eduardo Andrade. 

No se trata solo de equidad de género: la presencia de hombres en la educación parvularia en Chile es mínima, pero podría colaborar a cambiar la percepción de los roles de cuidado en la sociedad. Así lo indican parvularios y especialistas. «El impacto se ve también reflejado en la sociedad», aseguran.

“Nos expusieron como los extraños”, dijo Patricio Muñoz cuando recordó la última vez que apareció en un reportaje para un medio. Son minoría, es verdad, no más de 30 a nivel nacional en un grupo que recientemente armaron en Whatsapp, pero lejos del morbo que eso genera, los hombres que se desempeñan en Chile como educadores de párvulos se consideran un aporte.

Cuando Muñoz egresó de la Universidad de Concepción, junto con un compañero más, asegura que fueron un hito que no ocurría desde hace 25 años. Todo bien hasta ahí, si no fuera porque una vez enfrentados al mundo laboral los educadores de párvulos terminan en su mayoría desistiendo de la carrera o buscando oportunidades en las áreas más administrativas de la educación.

Así, por ejemplo, le pasó a Rodrigo Enero, un educador de párvulos que hoy se desempeña como supervisor en los jardines Integra, pero que tuvo una experiencia breve por las aulas.

Su historia en ese rubro, sin embargo, estuvo marcada por dos años en los que abandonó por completo su carrera y estuvo a punto de dedicarse a otra cosa.

“Ya estaba dando por perdido trabajar en lo que había estudiado cuatro años. Sin embargo, me dieron la oportunidad en el jardín Ichuac, que es un jardín BTF Junji. Ahí ya habían trabajado hombres voluntarios que venían de Alemania y tenían un convenio de cooperación. No era algo distinto para los padres y trabajé por tres años como educador de aula”, comentó el educador a Diario y Radio Universidad de Chile.

La etapa en la que un profesional de este tipo pasa en una sala es crucial para determinar si realmente puede hacer carrera en esto.

En el caso de Patricio Muñoz, fueron ocho años los que trabajó en dicha labor. Aunque lo que más recuerda es haber sido el centro de la crítica, tiene claro el aporte que significó su presencia en la sala.

Muñoz destaca que hay ciertas diferencias en el sentido de la protección que se le ofrece a los educandos. Por ejemplo, las educadoras suelen ser más exhaustivas. Sin embargo, el impacto, según él, va a depender de la formación que los y las niñas traigan desde sus casas.

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“Si tienen una familia que comparte roles, donde tanto la mamá como el papá cooperan, para ellos no es anormal que un hombre barra, que es lo que yo hacía en sala, que le ayude a limpiarse. El impacto se ve también reflejado en la sociedad, en este caso la familia”, enfatizó Muñoz.

Para las familias, agregó el educador, la sinergia que proyecta la colaboración de un hombre y una mujer dentro de las salas puede aportar a la deconstrucción de roles que comúnmente son asignados por la sociedad a un determinado género.

En este análisis coincide también la investigadora del Núcleo Desoc y experta en temas de educación, Verónica Cabezas. En conversación con Radio y Diario Universidad de Chile, manifestó que este pequeño acto de aparente inclusión dentro de las aulas puede enviar un fuerte mensaje a los educandos.

“No es solamente un tema de que nos guste la equidad de género, es importante porque la sociedad machista tiene asociado ciertos roles de cuidado al género femenino. En esta profesión, asociada con el tema del cuidado de los niños, ha sido mal vista para un hombre poder considerarla también por cierto riesgo de ser denunciado por abuso, pero los niños y las niñas tienen que ver la moderación de roles”, precisó la experta.

Verónica Cabezas.

Verónica Cabezas.

Este tipo de situaciones, a nivel internacional, ha llevado a cuestionar otros detalles, según Cabezas, como el uso del delantal en las educadoras de párvulos, precisamente para equiparar los roles con las figuras masculinas dentro de la sala.

En la actualidad, aunque no se manejan cifras de los educadores de párvulos en Chile, muchos de ellos se han organizado para realizar el Primer Encuentro de Educadores de Párvulos del país, que tendrá lugar en octubre en Antofagasta.

No existe nada que evite la participación de los hombres en este rubro en Chile, pero tampoco nada que lo fomente; sin embargo, los consultados para este informe ven con buenas expectativas el futuro de su profesión. Para ellos, la paridad se podría alcanzar tal como ocurrió con carreras antes masculinizadas, como medicina o ingeniería.

Fuente del artículo: https://radio.uchile.cl/2019/08/11/deconstruir-los-roles-desde-la-ninez-los-hombres-protagonistas-de-la-educacion-parvularia/

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Convocatoria a publicar Podcast en el portal Otras Voces en Educación

Redacción: OVE

Amigos y amigas, en nuestro portal Otras Voces en Educación estrenamos una nueva serie de podcast que narran  historias detrás de cada investigación. Hemos comunicado los primer episodio con valiosos aporte del coordinador general y el equipo editorial OVE, versados  en:

Restablecer el vínculo con la Madre Tierra

Feminismo: Voces constructoras de resistencia

Lectura y escritura crítica y reflexiva

Desarrollo Endógeno y Educación

Hoy, queremos ampliar este espacio de encuentro para que tu también puedas ser parte de este proyecto. Si estás interesado en compartir tus historias, conferencias,  inéditas en audio sobre personajes y casos educativos de interés público,  comunícate a: www.otrasvoceseneducacion.org con los siguientes datos:

  • Nombre Completo
  • País
  • Nombre de tu podcast
  • Tipo de público al que va dirigido
  • Duración
  • Breve descripción de tu proyecto
  • En el correo debes anexar algún link de descarga o reproducción de tu trabajo, para poder evaluar si cumple con las necesidades de OVE.
  •  Una vez que sea aprobada tu solicitud, te será devuelto un correo informativo con la fecha a compartir la experiencia.

 

 

 

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La historia de la maestra uruguaya que prepara a sus alumnos «para la peor noticia»

Redacción: BBC Mundo

Federica es una maestra vocacional de una escuela rural de Uruguay. Lleva casi dos décadas frente al pizarrón, pero este año está atravesando el momento más difícil desde que comenzó a batallar contras las injusticias con una tiza en la mano como su única arma.

Su sueño es que esos niños de batas blancas y rodillas sucias que nacieron en una zona rural tengan las mismas oportunidades que quienes lo hicieron en los barrios más acomodados de Montevideo.

Esta también es una historia muy triste, de esas que provocan calambres.

Alejo es uno de sus alumnos. Hace tres años, los médicos le diagnosticaron un cáncer muy agresivo. Perdió un año escolar debido al tratamiento oncológico, pero pudo regresar a la escuela.

En 2018, las maestras observaban emocionadas cómo ese niño parecía haber ganado la pulseada. Corría y sonreía a la par de sus compañeros durante los recreos.

Pero a comienzos de este año, Alejo recurrió a la Fundación Pérez Scremini —que trabaja por la cura del cáncer infantil en Uruguay— a realizarse un control y los estudios trajeron malas noticias. La enfermedad había regresado con más fuerza.

Hace pocas semanas, Federica escuchó la peor frase. Ya no había nada para hacer.

Alejo va a morir a causa de ese cáncer. Está en su casa, junto a su mamá. No va a la escuela desde mayo. Recibe a diario una visita de un médico y un psicólogo.

Escuela rural en UruguayDerechos de autor de la imagenGETTY IMAGES
Image captionEn Uruguay, 24.000 niños asisten a las 1.140 escuelas rurales, según Unicef.

«Pedí auxilio por todos lados»

Federica ha dormido muy poco desde que se enteró del último diagnóstico. Descuidó a sus hijos y a su marido. Lloró a mares, se abrazó a sus compañeras y buscó apoyo.

En medio de tanta tristeza, esta maestra decidió que debe estar más fuerte que nunca para ayudar a los compañeros de Alejo en este momento tan difícil.

«Pedí auxilio por todos lados», contó Federica a El Observador. Habló con un psicólogo para consultar cómo tratar el asunto con los niños, porque está convencida que lo peor es callar.

A su vez, recurrió a una librería del pueblo más cercano a la escuela en busca de lecturas para compartir con sus alumnos cuando pase lo que nadie quiere que pase, pero que va a pasar. Ella lo dice así, porque ya ni siquiera hay esperanzas para un milagro.

Hace unos días, los padres de todos los compañeros de Alejo llegaron a la escuela rural. El equipo de docentes había preparado una jornada para compartir la mañana.

Una vez finalizada, mientras los niños corrían por el arbolado patio de la escuela, los padres fueron invitados a pasar al salón. Allí, Federica informó sobre la situación y explicó la necesidad de que cada familia hablara del asunto en la intimidad del hogar.

«Hay que prepararlos para lo que va a pasar», les dijo.

Si hablar con los adultos fue difícil, es inimaginable lo duro que debe haber sido explicar a los niños lo que está sucediendo.

Niña escribiendo en pizarra.Derechos de autor de la imagenGETTY IMAGES
Image caption«Hay que prepararlos para lo que va a pasar», dijo Federica a los padres de los niños.

Con el temple que solo una maestra puede tener, Federica les dijo a sus alumnos que el compañero no está bien porque el tratamiento no tuvo el resultado que todos esperaban. Hubo un silencio total y los pequeños bajaron la cabeza.

«Me costó mucho lograr volver a concentrarme luego de esa charla», dijo Federica a El Observador.

Libros de apoyo

No importa qué escuela es, ni tampoco qué tipo de cáncer padece Alejo. De hecho, los nombres publicados son ficticios. Esos detalles son insignificantes al lado de la vocación con la que esta maestra intentará que el dolor no paralice a sus alumnos.

Federica sabe en su fuero más íntimo que está dando todo lo que tiene y más, pero aún así se pregunta si será suficiente.

La librera a la que consultó sugirió algunos títulos para ayudar a los niños. La estrella de Lisa, de la belga Claude K. Dubois, fue uno de ellos. Se trata de la historia de una niña que pierde la batalla contra el cáncer, aunque el texto también habla del valor de la amistad.

"Vacío" de Ana LlenasDerechos de autor de la imagenANA LLENAS
Image captionEn su página web, Ana Llenas comparte recursos lúdicos para explicar el «vacío» a niños, con ilustraciones de su propio libro.

El otro libro que le recomendó es Vacío, de la catalana Anna Llenas. «La vida está llena de encuentros, y también de pérdidas. Vacío es un libro que nos habla de la resiliencia, o la capacidad de sobreponerse a la adversidad y encontrarle un sentido«, dice en la contratapa.

Federica le hizo llegar a Alejo un regalo por el Día del Niño, el pasado 18 de agosto. Era algo muy especial para él. A su vez, los compañeros le escribieron cartas que llegaron junto al obsequio.

«Cuando nos enteramos que le había gustado el regalo fue un mimo para el alma. Tanto para mí como para mis compañeros fue una mezcla de sensaciones«, dijo la maestra.

Federica repitió varias veces durante la charla que ella no cree estar haciendo nada heroico, sino simplemente lo que corresponde. Dijo estar convencida de que está repleto de maestras vocacionales a lo largo y ancho del país que cada mañana, con mil sacrificios, dan lo mejor de sí por el futuro de los niños.

No quiere reconocimientos ni elogios, pero llora de rabia cuando escucha críticas a las maestras de parte de quienes desconocen la dedicación de la mayoría.

Las escuelas uruguayas son escenario de muchas historias, algunas desgarradoras. Pero también son un espacio donde algunos profesionales se desviven por el bienestar de los niños.

Fuente: https://www.bbc.com/mundo/noticias-49551855

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