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A desimaginação do social

por Boaventura de Sousa Santos

O social é o conjunto de dimensões da vida colectiva que não podem ser reduzidas à existência e experiência particular dos indivíduos que compõem uma dada sociedade. Esta definição não é neutra. Define o social pela negativa, o que permite atribuir-lhe uma infinidade de atributos que variam de época para época. É, por outro lado, uma definição eurocêntrica porque pressupõe uma distinção categorial entre o social e o indivíduo, uma distinção que, longe de ser universal ou imemorial, é específica da filosofia e da cultura ocidentais, e nestas só se tornou dominante com o racionalismo, o individualismo e o antropocentrismo renascentista do séc. XV, os quais viriam a ter em Descartes o seu mais brilhante teorizador. Tanto é assim que a máxima expressão desta filosofia–cogito ergo sum, “penso logo existo”– não tem tradução adequada em muitas línguas e culturas não eurocêntricas. Para muitas destas culturas a existência de um ser individual é não só problemática como absurda. É o caso das filosofias da África austral e do seu conceito fundamental de Ubuntu, que se pode traduzir por “eu sou porque tu és”, ou seja, eu não existo senão na minha relação com outros. Os africanos não precisaram de esperar por Heidegger para conceber o ser como ser-com (Mitsein).

Muito esquematicamente, podemos distinguir na cultura eurocêntrica que serviu de base ao capitalismo moderno dois entendimentos extremos do social. De um lado, o entendimento reacionário, que confere total primazia ao indivíduo e o concebe como um ser ameaçado pelo social. Os indivíduos, longe de serem iguais, são naturalmente diferentes e essas diferenças determinam hierarquias que o social deve respeitar e ratificar. Entre essas diferenças, duas são fundamentais: as diferenças de raça e as diferenças de sexo. No outro extremo está o entendimento solidarista, que confere primazia ao social e o concebe como o conjunto de regras de sociabilidade que neutralizam as desigualdades entre os indivíduos. Entre estes dois extremos foram muitos os entendimentos intermédios, nomeadamente os entendimentos liberais (no plural), que viram no social o garante da igualdade dos indivíduos como ponto de partida, e os entendimentos socialistas (também no plural), que viram no social o garante da igualdade dos indivíduos como ponto de chegada. Entre estes dois entendimentos, por sua vez, foram possíveis várias combinações. Com as revoluções francesa e americana os dois últimos entendimentos passaram a ser os únicos legítimos no plano ideológico. Foi com base neles que se iniciou a luta contra a escravatura e a discriminação contra as mulheres. No entanto, ao contrário do que se supõe, o entendimento reacionário da desigualdade natural-social entre os indivíduos sempre se manteve como corrente subterrânea. Até hoje. E é intrigante que assim seja depois de dois séculos de lutas contra a desigualdade e a discriminação. Houve progressos? E, se houve, por que é que os retrocessos ocorrem recorrentemente e aparentemente com tanta facilidade? Estaremos hoje numa fase de retrocesso histórico em que o entendimento socialista se desfaz no ar e o liberal parece perigosamente ameaçado pelo entendimento reacionário?

As respostas a estas perguntas dependem da consideração de vários factores. Eu vou limitar-me a um deles e, por isso, assumo à partida que a minha resposta é incompleta. O que o pensamento liberal designou por sociedade moderna democrática e o pensamento marxista por sociedade moderna capitalista foi de facto uma sociedade cujo modelo de desenvolvimento económico exigia dois tipos de exploração da força de trabalho: a exploração de seres humanos teoricamente iguais aos seus exploradores e a exploração de seres humanos inferiores ou sub-humanos. Daqui decorreram dois tipos de desvalorização do trabalho, uma desvalorização controlada porque regulada pelo princípio da igualdade, e por isso assente em direitos supostamente universais, e uma desvalorização mais intensa porque “natural”, exercida sobre seres ontologicamente degradados, seres racializados e seres sexualizados, basicamente, negros e mulheres.

O capitalismo não inventou nem o colonialismo (racismo, escravatura, trabalho forçado) nem o patriarcado (discriminação sexual) mas resignificou-os como formas de trabalho super-desvalorizado, ou mesmo não pago ou sistematicamente roubado.

Sem essa super-desvalorização do trabalho de populações tidas por inferiores não seria possível a exploração rentável da força de trabalho assalariado em que tanto liberais como marxistas se concentraram, ou seja, o capitalismo não se poderia manter e expandir de forma sustentada.

Mas, se assim foi, não terá sido apenas nos alvores do capitalismo? Em meu entender, não, e só o domínio do pensamento liberal e do pensamento marxista nos impediu de ver que desde o séc. XV, pelo menos, até hoje vivemos em sociedades capitalistas, colonialistas e patriarcais. Obviamente que ao longo dos séculos houve lutas e movimentos sociais que eliminaram algumas das formas mais selvagens de desvalorização humana, mas só o domínio daquelas duas formas de pensamento moderno foi capaz de nos criar a ilusão de que a eliminação dessa desvalorização seria progressiva e até acabaria um dia, mesmo sem o capitalismo acabar. Ledo engano. O que aconteceu foi a substituição real ou apenas jurídica de alguns instrumentos de desvalorização por outros ou a deslocação do exercício da desvalorização de um campo social para outro ou de uma região do mundo para outra. Não ter isto em conta fez com que confundíssemos o fim do colonialismo histórico (de ocupação territorial por país estrangeiro) com o fim total do colonialismo, quando de facto o colonialismo continuou sob outras formas: neocolonialismo, colonialismo interno, imperialismo, racismo, xenofobia, odio anti-imigrante e anti-refugiado, e, para espanto de muitos, a própria escravatura, como a ONU hoje reconhece. Da mesma forma que a discriminação contra as mulheres deixou de se manifestar no sufrágio eleitoral e nos direitos sociais, mas continuou sob as formas de pagamento desigual para trabalho igual, assédio sexual e violência, da doméstica ao gang rape e feminicídio. Esta cegueira analítica impediu-nos de dar relevo à composição etno-cultural da força de trabalho desde o início, por exemplo, às diferenças entre trabalhadores ingleses e irlandeses ou entre trabalhadores de Castela e da Andaluzia.

Por que razão é este argumento mais facilmente aceite hoje do que há vinte anos? Em meu entender, isso deve-se ao facto de a actual fase do capitalismo exigir hoje, talvez mais do que nunca, a super-desvalorização da força de trabalho e a submissão de vastas populações à condição de populações descartáveis, populações a quem se pode roubar o trabalho e sujeitar a trabalho forçado ou “análogo” a trabalho escravo; populações eliminadas por guerras onde só morrem civis inocentes, abandonadas à sua “sorte” em caso de acontecimentos climáticos extremos ou encarceradas, como acontece a boa parte da população jovem negra dos EUA. Estes factos devem-se à conjugação de dois factores epocais e, portanto, de larga duração: as revoluções electrónicas e digitais e o domínio global do capital financeiro, o sector do capitalismo mais anti-social por criar riqueza artificial com escassíssimo recurso à força de trabalho.

A super-desvalorização da força de trabalho e o carácter descartável de vastas populações estão hoje a ser ideologicamente respaldados pela reemergência do pensamento reacionário da desigualdade natural-social entre os indivíduos, o qual sempre se manteve como corrente subterrânea da modernidade ocidental. Ele reemerge sob formas tão diferentes que facilmente se disfarçam de desvios conjunturais ou idiossincrasias sem significado. Aflora no crescimento da extrema-direita europeia e brasileira e do supremacismo branco nos EUA. Aflora na chocante virulência classista, racista, sexista e homofóbica  de organizações brasileiras de extrema-direita, algumas delas financiadas por  agências públicas e privadas norteamericanas. Aflora na generalização da precariedade do trabalho assalariado e da transformação dos direitos dos trabalhadores em privilégios ilegítimos. Aflora em sentenças judiciais que invocam a Bíblia para justificar a inferioridade das mulheres. Aflora no aumento do trabalho escravo. E aflora, pasme-se, na relegitimação do colonialismo histórico, um fenómeno que pela sua aparente novidade merece uma referência especial. Não me refiro a políticos como o Presidente Nicolas Sarkozy, que em 2007 dissertou em Dakar sobre as vantagens do colonialismo para os povos africanos, cuja tragédia é não terem até hoje entrado plenamente na história. Refiro-me à justificação científica do colonialismo histórico e à sua invocação como solução para os “estados falhados” do nosso tempo. Refiro-me ao artigo de Bruce Gilley, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Estadual de Portland, publicado em 2017 na respeitada revista Third World Quarterly dedicada aos problemas poscoloniais. O artigo, intitulado “The Case for Colonialism”, defende o papel histórico do colonialismo e advoga que se volte a recorrer a ele para resolver problemas que os “estados falhados” do nosso tempo não podem resolver. Mais especificamente, propõe três soluções: “recomendar modos de governação colonial; recolonizar algumas áreas; criar novas colónias de raiz.” A polémica que o artigo suscitou foi tão grande que o autor acabou por retirar o artigo (foi retirado da versão electrónica da revista, mas pode ser lido na versão em papel). A minha suspeita é, no entanto, que o artigo, longe de ser apenas uma prova das deficiências do sistema de avaliação “anónima” de artigos científicos, é um sintoma da época, e a polémica que ele levantou não ficará por aqui.

O que designo por desimaginação do social é a imaginação anti-social do social. Segundo ela, numa sociedade de desigualdade natural-social entre os indivíduos, a responsabilidade colectiva pelos males da sociedade não existe. O que existe é a culpa individual daqueles que não querem ou não podem competir por aquilo que a sociedade nunca oferece e apenas concede a quem merece. Os que fracassam, em vez de apoiar-se na sociedade, devem apoiar-se nas religiões que por aí pregam a teologia da prosperidade e consolo para quem não prospera. A educação, em vez de criar a miragem da responsabilidade cidadã e da solidariedade social, deve ensinar os jovens a ser competitivos e saber que estão numa guerra de todos contra todos.

Se não é isto que queremos, é bom termos bem a noção do inimigo contra o qual temos de lutar com todas as forças democráticas, e sem complacência.

Informação da fotografia:

“É o caso das filosofias da África austral e do seu conceito fundamental de Ubuntu, que se pode traduzir por “eu sou porque tu és”, ou seja, eu não existo senão na minha relação com outros. Os africanos não precisaram de esperar por Heidegger para conceber o ser como ser-com (Mitsein).” Foto: Guilherme Santos/Sul21

Fonte do Artigo:

https://www.sul21.com.br/jornal/desimaginacao-do-social-por-boaventura-de-sousa-santos/

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Venezuela y Rusia afianzan lazos en materia de educación, agricultura, industria, tecnología y defensa

Venezuela/Noviembre de 2017/Fuente: Globovisión

El Ministro para la Educación Universitaria, Ciencia y Tecnología, Hugbel Roa sostuvo un encuentro con la delegación de Rusia en la XIII reunión de la Comisión Intergubernamental de Alto Nivel en Sochi, para fortalecer la relación bilateral en cuanto a Educación se trata.

En la comisión diplomática también participan los ministros Vladimir Padrino López Wilmar Castro Soteldo, titulares de la cartera de Defensa y Agricultura Productiva respectivamente, busca consolidar alianzas estratégicas de desarrollo integral en las áreas de agricultura, industria, ciencia, tecnología, minería defensa y salud, informó la Cancillería venezolana a través de su cuenta oficial en Twitter.

En ese sentido, Castro Soteldo informó que fueron presentados productos que son considerados para la exportación en el marco del encuentro de la Comisión Intergubernamental de Alto Nivel (CIAN) Rusia-Venezuela.

Fuente: http://globovision.com/article/venezuela-y-rusia-afianzan-lazos-en-materia-de-educacion-agricultura-industria-tecnologia-y-defensa

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A quand une éducation sérieuse en sciences cognitives en France

Francia/Noviembre de 2017/Fuente: Le Monde

Resumen: La reciente controversia sobre la presencia o ausencia de tabaco en las películas nos ha recordado: los ciudadanos son blanco de múltiples estrategias de influencia de actores privados y públicos. Estos utilizan las palancas de las ciencias del comportamiento para crear o fomentar la búsqueda de conductas adictivas. Pero estos amenazan la salud física y mental de los usuarios y complican las políticas de salud pública, como las basadas en la prevención.
Si el conocimiento de los fundamentos de la cognición humana tiene un interés colectivo positivo pero es éticamente perturbador, también tiene un interés individual, permitiendo que el ciudadano iniciado se proteja de las influencias de las que es objetivo y controle mejor su vida.

La récente polémique sur la présence ou non du tabac dans les films l’a rappelé : les citoyens sont la cible de multiples stratégies d’influence des acteurs privés et publics. Ceux-ci utilisent les leviers des sciences du comportement pour créer ou encourager la poursuite de comportements addictifs. Or ceux-ci menacent la santé physique et mentale des usagers et compliquent les politiques de santé publique, comme celles basées sur la prévention.

Si la connaissance des fondamentaux de la cognition humaine présente un intérêt collectif positif mais inquiétant éthiquement, elle présente également un intérêt individuel, en permettant au citoyen initié de se prémunir contre les influences dont il est la cible et de mieux maîtriser sa vie.

Les sciences du comportement offrent aujourd’hui les véritables clés de l’influence

Tout le monde cherche à influencer le comportement d’autrui : un parent qui apprend la politesse à son enfant, une entreprise qui souhaite inciter à consommer son produit, un gouvernement qui veut inciter à l’épargne. Les individus disposent partout dans le monde de connaissances empiriques et partielles des stratégies d’influence du comportement, du simple magicien de rue aux plus grands stratèges. Dans L’Art de la guerre, partant du principe que « ce qui est familier n’attire pas l’attention », Sun Tzu établit que « provoquer insensiblement le changement est préférable à l’annoncer ». Il suggérait qu’il était préférable de « cacher dans la lumière », car il est plus facile de dissimuler là où on s’y attend le moins.

Mais les sciences du comportement, en théorisant ces phénomènes, offrent aujourd’hui les véritables clés de l’influence. Par exemple, les sciences cognitives ont largement étudié le phénomène de cécité attentionnelle, cette faille cognitive qui peut être exploitée lorsqu’on agence des produits en rayon ou lorsqu’on formate un choix entre plusieurs options.

Fuente: http://www.lemonde.fr/idees/article/2017/11/27/a-quand-une-education-serieuse-en-sciences-cognitives-en-france_5220753_3232.html

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UCJC, Católica de Ávila y Alfonso X el Sabio, las universidades menos transparentes

Por: Hector G. Barnés

En septiembre de 2012 se publicó la primera edición del ‘Informe de transparencia voluntaria en la web de las universidades españolas’, un examen realizado por la Fundación Compromiso y Transparencia que analizaba el nivel de información que los centros de educación superior españoles ofrecen de manera pública. Desde entonces, la situación ha mejorado sensiblemente. Si en aquel primer año no había ninguna universidad que cumpliese todos los criterios para ser considerada transparente, en esta ocasión el porcentaje asciende hasta el 55%. Una tendencia que prolonga la del año pasado.

Lo que la edición de este año muestra es que, si bien muchos de los centros públicos han cambiado sus políticas para encajar en dicha definición, no se puede decir lo mismo de los privados. “El caso de las universidades privadasdista aún mucho de los buenos resultados cosechados por las públicas”, recuerdan en el informe sus autores, Javier Martín Cavanna, director ejecutivo de la Fundación, y Esther Barrio. En la presente edición, de las 26 universidades privadas analizadas, tan solo tres pueden clasificarse como transparentes. En la edición de 2013, la primera en la que se analizaron, todas eran opacas.

La situación es muy diferente en los centros públicos, donde se ha mejorado sensiblemente. De las 49 universidades que componen la muestra, 26 son calificadas como transparentes, y hasta un 80% de ellas satisfacen el 75% de los indicadores del informe. Los autores recuerdan que esta diferencia no se traduce en, simplemente, “colgar información”, sino en que “esta cada vez tenga más calidad, sea más relevante y que a la hora de comunicarla sea comprensible para todos”. La Fundación recuerda que, sin su participación activa a través de este informe, es probable que nunca se hubiesen alcanzado dichos objetivos.

Tan solo hay dos universidades públicas consideradas opacas en el informe, la Universidad Politécnica de Valencia y la Universidad de Oviedo

“Estamos convencidos de que nuestro informe ha servido de incentivo para que las universidades aumenten la transparencia de su información en la web y consideren la necesidad de rendir cuentas a través de este canal”, recuerdan los autores. Tan solo hay dos universidades públicas consideradas opacas en el informe, la Universidad Politécnica de Valencia (14) y la Universidad de Oviedo (12). En cuanto a las privadas, a la cola se sitúan la Camilo José Cela (4), la Católica de Ávila (5) y la Alfonso X el Sabio (5). Sin embargo, son 26 los centros públicos transparentes, con la Universidad de Cantabria a la cabeza (27). Le siguen la de Castilla La-Mancha, Córdoba, Jaén, La Rioja, Pompeu Fabra y Rey Juan Carlos. Entre las privadas, destacan la Vic-Central de Cataluyna (27), Nebrija (22) y la de Navarra (21) como las tres más transparentes.

¿En qué destacan?

Las universidades públicas han mejorado en todos los criterios a lo largo de los últimos seis años, salvo en uno, el gobierno. La razón, recuerdan los autores, es la incorporación de un nuevo indicador relacionado con la publicación de actas, que ha provocado que descienda el porcentaje. En este apartado, no obstante, destaca sensiblemente la Universidad Pompeu Fabra que, según el documento, “informa de manera muy clara de los órdenes del día, acuerdos y calendario de sesiones de sus órganos de gobierno”.

La situación es muy diferente en los centros privados, donde algunos incluso han obtenido peores puntuaciones que el pasado año. “Otras universidades que en otras ediciones presentaban altos índices de cumplimiento, en este informe han empeorado al no publicar la información de forma íntegra o actualizada, dos de las condiciones necesarias para darla por buena”, recuerdan los autores. Estas, por lo general, han mejorado en la mayoría los criterios, pero a un ritmo mucho más lento que en las públicas. Una de sus asignaturas pendientes es la información económica, especialmente en lo que se refiere a su presupuesto. Tan solo Vic-Central de Catalunya publica todo lo exigido.

En otros casos, universidades como Deusto, Navarra, Mondragón y Nebrija tan solo desvelan una escueta información sobre ingresos y gastos. El informe lamenta especialmente el caso de Mondragón, que publican sus estados financieros “solo en euskera”. Resulta llamativo que las privadas apenas alcancen un 47% en los criterios de oferta y demanda académica (frente al 77% de las públicas). Aunque hayan llegado a un 100% en lo que respecta a titulaciones (por razones obvias), en muchos casos, estos centros no presentan información actualizada al presente curso. Y, en algunos casos, han eliminado dicha información, como ocurre con las de San Antonio de Murcia, Navarra, CEU Cardenal Herrera, Internacional de La Rioja y San Jorge.

Las privadas publican menos información sobre la empleabilidad de sus egresados, así como sobre los resultados de la actividad investigadora

Otro criterio llamativo es el de los resultados. Una vez más, las públicas ascienden hasta el 76% (desde el 29% del año 2011) –especialmente destacado en lo que se refiere a la posición en ‘rankings’ y empleabilidad–, pero las privadas se quedan en un 56% (desde el 21%, y dos por debajo del año pasado). Esto se debe a la disminución en la información que publican sobre la empleabilidad de sus egresados, así como a la relativa a los resultados de la actividad investigadora. Cabe preguntarse, por lo tanto, si muchos de estos centros no ocultarán dicha información al considerar que puede resultarlescomercialmente negativa y, por lo tanto, carecer de incentivos para hacerlo.

¿Cuál es el futuro?

El informe de este año plantea por primera vez una clara separación entre los centros públicos y los privados en cuestión de transparencia. Mientras unos acatan los criterios, los otros parecen más reacios a hacerlo. Las recomendaciones del Tribunal de Cuentas en sus informes sobre fiscalización de las universidades públicas, así como un mayor escrutinio de las actividades de estos centros tras la crisis, pueden haber sido determinantes a la ahora de “ponerse las pilas”, especialmente en lo que se refiere a gobernanza. Como señala el informe, “lo que el Tribunal está poniendo de manifiesto es que existe una falta de control interno importante en los centros universitarios debido a la complejidad de la estructura de gobernanza actual”.

De ahí que la próxima edición del informe no analizará los centros públicos, sino tan solo los privados, ya que se dedicará ese tiempo a seleccionar unos nuevos indicadores que formen parte de una segunda etapa del informe. “El nivel alcanzado por las universidades públicas nos ha movido a otorgarnos un plazo de un año para elaborar nuevos indicadores de transparencia y buen gobierno que contribuyan a elevar la calidad de la información proporcionada por las universidades”, recuerda el informe. Estos se centrarán, ante todo, en gobernanza, resultados e información económica.

Las privadas, que parecen estar quedándose atrás, seguirán siendo analizadas como hasta la fecha. El informe, no obstante, valora positivamente los esfuerzos que la Universidad Internacional de Catalunya ha realizado para seguir los pasos de otros centros como Vic-Central de Catalunya, Nebrija y Navarra en sus buenas prácticas a la hora de proporcionar información útil. Es el gran reto por delante de la universidad española en cuestión de transparencia: que los centros privados estén a la altura de los públicos a la hora de comprometerse con la publicación de los datos que sus profesionales, el sector, los estudiantes y la sociedad en su conjunto tienen derecho a conocer.

Que las privadas no estén financiadas con dinero del Estado no significa que no deban dar información relevante a sus ‘stakeholders’

Recomendaciones

El informe se cierra con un decálogo de consejos que pueden favorecer esas buenas prácticas:

Mecanismos internos de control e impulso. Es importante que los responsables de la gestión en los centros universitarios se planteen objetivos anuales y den cuenta de su grado de cumplimiento.

La universidad en la web, no la web de la universidad. En el segundo caso, la finalidad es subir contenidos informativos a la web, el primero implica desarrollar un sistema de gestión interna a partir de los datos existentes.

Información actual. Sería aconsejable fijar plazos internos para disponer y publicar en la web datos relativos a matriculaciones, oferta y demanda académica u otros.

Facilitar, no difundir. Las universidades deben seguir avanzando por mejorar la claridad y accesibilidad de su información. Formatos como el PDF no son de ayuda para facilitar la visibilidad de la información.

La transparencia está en los detalles. A menudo, los datos se presentan de forma agregada por ramas de conocimiento, ciclos o centros; sin embargo, deberían ofrecerse en relación con cada una de las titulaciones.

Los retrasos no valen. Muchos centros presentan sus informes de fiscalización económica con un año o más de retraso. En algunos casos, el último se remonta al ejercicio económico 2014.

Ser privada no significa privar de información. El hecho de que no estén financiadas con dinero del Estado no significa que no deban dar información relevante a sus ‘stakeholders’, entre los que se encuentran los alumnos, los padres, los profesores, los donantes o la sociedad científica.

Fuente: https://www.elconfidencial.com/alma-corazon-vida/2017-11-23/transparencia-universidades-2016_1481925/

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Reino Unido apoyará creación de videojuegos con partida presupuestal

Reino Unido/Noviembre de 2017/Autor: Victor Rosas/Fuente: Levelup

La popularidad que gozan los videojuegos en la actualidad ha dado visibilidad a su proceso de creación y todo lo que involucra para que al final disfrutemos los juegos que más nos gustan. En el caso de Reino Unido, esto ha llevado al gobierno a apoyar a la industria de videojuegos de la región con un aumento en la partida presupuestal asignada y una estrategia integral que se enfocará en el sector educación donde se impulsará y mejorará la enseñanza de ciencias de la computación y matemáticas.

El gobierno de Reino Unido anunció que dará $1 MDD del presupuesto para el siguiente año al UK Games Fund con miras a perpetuar su existencia hasta 2020. El fondo fue creado para impulsar a pequeños desarrolladores de videojuegos que comienzan su ciclo en la industria. A la par de éste anuncio, el gobierno también informó que pondrá en marcha una estrategia que beneficie a la industria de videojuegos en la región impulsando el aprendizaje de ciencias de la computación y matemáticas en el nivel secundaria. La estrategia contempla una inversión de más de $111 MDD para especializar a 8,000 profesores de computación de nivel secundaria y asegurar que los planteles educativos tengan profesores capacitados y actualizados. También, se destinarán $35 MDD para mejorar la enseñanza de las matemáticas y alcanzar niveles necesarios para el desarrollo tecnológico.

De esta manera, Reino Unido sigue atentamente lo que acontece en la industria de los videojuegos en la región y se compromete a apoyar un sector que crece cada vez más a nivel mundial.

¿Qué te parece la estrategia de apoyo de Reino Unido?

Cuéntanos en los comentarios y sigue con nosotros, en LEVEL UP.

Fuente: http://www.levelup.com/noticias/447991/Reino-Unido-apoyara-creacion-de-videojuegos-con-partida-presupuestal

 

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Entrevista a Gustavo Hernández Sánchez: Una contrahistoria o una historia contrahegemónica debería de ser la memoria de las clases subalternas”

Entrevista a Gustavo Hernández Sánchez sobre La tradición marxista y la encrucijada postmoderna: Notas para una historia social y cultural en el siglo XXI
“Una contrahistoria o una historia contrahegemónica debería de ser la memoria de las clases subalternas”
Salvador López Arnal
Rebelión
 Doctor en Historia Moderna por la Universidad de Salamanca, donde el pasado mes de abril presentó su tesis sobre el fuero universitario en el periodo Barroco, Gustavo Hernández Sánchez ha sido miembro del Departamento de Historia Medieval, Moderna y Contemporánea de esta Universidad como contratado FPU y ha mantenido siempre una preocupación fundamental por la teoría y la divulgación del conocimiento histórico, elementos que considera necesarios para acercar su trabajo a la sociedad. Es miembro cofundador del Grupo de Estudios Culturales A. Gramsci.

Nuestra conversación se centra en el libro indicado que ha sido editado por Visión Libros, Madrid, 2017.

Seguimos en el capítulo IV de su libro: “La tradición marxista en la encrucijada del siglo XXI”. Estábamos en la página 160. Pero perdona, antes de ello, me he olvidado antes. En lenguaje muy a la Wittgenstein, señalas que: “los límites del lenguaje son los propios límites del conocimiento, del análisis, del método, en última instancia, de la propia realidad que construimos y articular nuestra(s) lucha (s). Los limites del lenguaje son, en definitiva, las fronteras que imponemos tanto a nuestra realidad como a nuestra acción”. No sé si las fronteras que imponemos, o las fronteras que tenemos pero, sea como fuere, ¿cuáles son los problemas de esta limitación? No somos omniscientes, somos animales con logos… y con sus límites anexos que, por lo demás, no tienen que estar fijados para siempre.

Si no me equivoco ese es un extracto de un artículo que publique en La Haine con Jorge Tapia, el compañero del que hablábamos antes. En él planteábamos una crítica a quienes dicen que no debemos de nombrar algunas palabras si queremos ganar el poder político. Palabras como, por ejemplo, revolución o socialismo. Nosotros en esas notas planteábamos precisamente lo contrario que, para imaginarlo, primero debemos de nombrarlo, puesto que el pensamiento también influye en nuestras acciones. Hasta el punto de que si las dejásemos de nombrar podríamos olvidarlas, y olvidarlas también en nuestras prácticas políticas. Pero creo que esta idea también está presente en Marx cuando habla del concepto de trabajo, y de la centralidad del mismo, no en la relación capital-trabajo, que es la que tradicionalmente se conoce, sino en la propia dimensión antropocéntrica de éste. El ser humano primero piensa una idea en su cabeza y después la realiza. Y esto lo hace, dice Marx, a través del trabajo. No se si he respondido a tu pregunta.

Lanzas una pregunta al final de la página 160 del libro: ¿cuál ha de ser el papel de la historia y de los historiadores en el presente? ¿Cuál es tu posición, cuál ha de ser ese papel? Te pido un resumen.

Creo que contribuir a todo esto de lo que hablábamos en las preguntas anteriores. Ver cómo en la historia los procesos de resistencia o de contestación a la dominación han sido siempre colectivos, democráticos, planteados desde abajo y a la izquierda. El historiador, en este sentido, debería saber acercarse a estudiar y comprender estos procesos. Ver cómo funciona el poder y cómo este ha tratado y aún trata de hacernos olvidar todo esto. Ya dijimos que la Historia es la Memoria del poder. Y, en este sentido, una contrahistoria o una historia contrahegemónica debería de ser la memoria de las clases subalternas. No se trata tanto de reapropiarnos de experiencias pasadas o de resignificarlas, sino de identificarnos en ellas, porque de algún modo, sus problemas fueron (son) los mismos que los nuestros. El feminismo, por ejemplo, ha sabido interpretar muy bien todo esto. Por otro lado, el historiador debe de participar en las luchas sociales como ciudadano y aportar su conocimiento del mismo modo que también es importante que lo hagan los albañiles, las limpiadoras y todas aquellas personas que podamos identificarnos con esta lucha. No somos ninguna especie de sacerdotes. Creo que es muy importante subrayar esto, porque no creo que por ser titulado superior sepa más que otras personas. Podré saber más de historia pero para otras cosas soy un desastre, por ejemplo, cuando tengo que arreglar el coche le pregunto a mi padre que es gruista.

Digo esto para introducir una pequeña crítica, puesto que considero que muy a menudo se sobredimensiona el papel del intelectual. Seguimos esperando al mesías ese del que te hablaba anteriormente, y pensamos que este, en las sociedades postmodernas, será un titulado superior que sepa hablar varios idiomas. No creo que tenga por qué ser así. No sé si me he explicado.

Respecto al marxismo de otros clásicos anteriores, o incluso de otros clásicos posteriores, ¿dónde ves tú la singularidad de la propuesta de Gramsci?

Sobre el tema tenemos preparada una lectura colectiva por parte del Grupo de Estudios Culturales A. Gramsci en el libro que se prepara del encuentro que organizamos en Salamanca junto con la FIM y la Fundación Europa de los Ciudadanos el pasado curso. En ella planteamos que no es necesario un conocimiento erudito de su obra o de la tradición marxista. Quizá destacamos por encima de todo la dimensión cultural de su pensamiento, lo que hizo salir al marxismo de cierto economicismo mecanicista que nos hace seguir poder considerándonos marxistas, después de todo, y a pesar de todas las transformaciones de los últimos años. Esa es la verdadera dimensión de Gramsci como clásico del marxismo y, si me apuras, del marxismo como parte innegable de la tradición cultural de las sociedades occidentales. Pero esta idea no es mía, la tomo de Hobsbawm. También incluimos una disputa del concepto de “hegemonía”, tan en boga en la actualidad. Creemos exagerado emplear a Gramsci para hablar de postmarxismo ya que pensamos que su análisis no se despegó de la lucha de clases como una cuestión central, y que ésta continúa siendo central para interpretar el presente. Si bien el concepto de clase tampoco es una cosa estática y el surgimiento de nuevos sujetos nos obliga a concretar estas nuevas realidades, como puede ser, su carácter interseccional respecto de las mujeres, por ejemplo. Esas son también un poco las preocupaciones del Grupo y así lo reflejamos en este capítulo, que espero que salga pronto ya que va a ser muy muy interesante. No sé, de Gramsci se podrían decir muchas más cosas, como tú bien sabes.

Citas en repetidas ocasiones, antes te preguntaba por el segundo, a Negri y Hardt, hablando, por ejemplo, de la paradoja de la incomunicabilidad. ¿Qué te interesa más de las propuestas de estos autores? ¿Tienes algunas críticas?

Creo que hacen un análisis brillante sobre las sociedades del presente, pero su propuesta para transformar la realidad es muy vaga. Están un poco como estamos los demás, es decir, comprendemos que no nos gusta lo que vemos e identificamos el capitalismo con los males que acucian al planeta, pero, por otro lado, se trata de un enemigo tan fuerte que estamos de alguna manera desarmados frente a él.

La idea de la paradoja de la incomunicabilidad creo que es interesante para reflexionar por qué no llegamos a la mayoría de la gente. Si tenemos a la razón y a la verdad de nuestro lado, entiéndase la ironía: ¿por qué no somos capaces de hacer que todo el mundo lo vea? Por ahí van las conclusiones del libro en el sentido de interpelar a la construcción de diálogos que nos unan y que no nos dividan para empezar a dar respuesta colectiva a estos interrogantes. Es decir, remar un poco todos y todas en la misma dirección.

En el apartado 2 habas de revoluciones postmodernas. ¿Cuándo una revolución es una revolución postmoderna? ¿Qué te interesa más de la experiencia del Kurdistán?

Simplificándolo mucho, yo diría que cuando se produce una verdadera transformación cultural, entendiendo cultura como estructura del sentir en la línea que lo entendía Raymond Williams, y no sólo en lo económico, lo que tradicionalmente entenderíamos como estructura, y que es lo que generalmente han considerado la mayor parte de las revoluciones socialistas. Ya hemos visto que las reflexiones de Gramsci, Althusser y otros que vinieron después que ellos van en esta línea: en no entender el marxismo como una cuestión mecanicista.

Pues bien, creo que en el Kurdistán han sabido comprender esta dimensión simbólica de la revolución, por ejemplo, en lo que atiende a la cuestión de la mujer. Le dan una preeminencia como vanguardia que nunca antes se le había dado, y me parece genial. Anticipan en el presente la sociedad que queremos, en el sentido de invertir la dominación simbólica del patriarcado, y además aplicarlo en la práctica. Creo que esto nunca antes se había hecho. Y así se presentan ante el mundo…es decir, que no esperan como muchas veces se nos dice: primero haremos una cosa para después poder hacer las demás, no me seas izquierdista, vamos poco a poco (risas). ¿Para qué esperar?

Titulas el apartado 3: “¿Es posible una conciliación entre marxismo y posmodernidad?”, entre el marxismo como tradición de pensamiento, método historiográfico, y posmodernidad como nuevo contexto cultural. La respuesta, lo dices, es afirmativa por qué. ¿Qué puede aprender el marxismo de las tesis postmodernas?

Muchas de las cuestiones sobre las que hemos reflexionado a lo largo de esta serie de entrevistas.

De acuerdo, tienes razón. Pasamos entonces al siguiente capítulo si te parece. Falta poco.

Cuando quieras seguimos.

Nota edición

Las anteriores entrevistas pueden verse en:

Entrevista a Gustavo Hernández Sánchez sobre La tradición marxista y la encrucijada postmoderna: Notas para una historia social y cultural en el siglo XXI. “Entiendo la postmodernidad como la lógica cultural del capitalismo avanzado (como lo entienden autores como Fredric Jameson)” http://www.rebelion.org/noticia.php?id=23207

Entrevista a Gustavo Hernández Sánchez sobre La tradición marxista y la encrucijada postmoderna: Notas para una historia social y cultural en el siglo XXI (y II). “Reivindicar el pensamiento utópico me parece muy necesario en un mundo el que muchas personas se empeñan en decirnos que no existen alternativas” http://www.rebelion.org/noticia.php?id=232355

“Creo que Zizek forma parte -sigo a Judith Butler- del resurgir de la ortodoxia dentro de la izquierda» http://www.rebelion.org/noticia.php?id=232664

“Edward Palmer Thompson es un autor que sí supo dar un giro copernicano a los estudios marxistas” http://www.rebelion.org/noticia.php?id=233019

 

“César Rendueles, entre otros autores jóvenes, supone un soplo de aire fresco en todo el panorama académico” http://www.rebelion.org/noticia.php?id=233250

 

“El marxismo no puede ser una certeza en el sentido metafísico”. http://www.rebelion.org/noticia.php?id=233462

 

“Bourdieu debería de ser un autor obligatorio en las escuelas de formación de todas las organizaciones políticas de izquierda” http://www.rebelion.org/noticia.php?id=233832

 

“Hay pocos historiadores ‘contemporaneístas’ que hagan una verdadera historia desde abajo. http://www.rebelion.org/noticia.php?id=234014

Fuente: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=234433&titular=%93una-contrahistoria-o-una-historia-contrahegem%F3nica-deber%EDa-de-ser-la-memoria-de-las-clases-subalternas%94-

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Los niños de Dickens

Por: Lidia Falcón

En Barcelona, esa ciudad tan preocupada por proclamar la independencia de Cataluña —aunque sólo en broma, ya nos hemos enterado— y donde los recursos económicos se han dedicado profusa y generosamente a difundir y afianzar el procés, varios niños –en octubre eran doce- se pudren días enteros en los calabozos de la Ciudad de la Justicia.

Son marroquíes, no tienen papeles –esos objetos preciosos que ahora valen más que la vida de las personas-, no saben hablar español, han llegado solos, atravesando quién sabe cuántos peligros y humillaciones, hambrientos y desorientados, porque su situación familiar debía ser tan precaria que madres y padres prefirieron enviarlos allende los mares, embarcados en pateras, con riesgo de naufragio, de heridas, de esclavitud, de muerte, antes de ver como perdían toda esperanza de mejora en su país natal. Por tanto, no merecen más que un colchón en el suelo de los pasillos del Palacio de Justicia de Barcelona.

Allí, encerrados, en silencio, sin ver la luz del sol, pasan días y días mientras los poderosos funcionarios o jueces o fiscales, que disponen de su vida deciden donde acabarán alojados. La DGAIA,  la Dirección General de Atención a la Infancia y la Adolescencia de la Generalitat no tiene ni albergues ni, al parecer dinero, para instalarlos en alguna pensión.

Hace años, en Barcelona, a las mujeres maltratadas en riesgo inminente de ser asesinadas por el hombre con el que convivían, las metían en pensiones del Barrio Chino donde no había ni ducha. Incluso con niños y bebés. Tampoco tenían entonces casas de acogida suficientes.

Ahora se trata de los menores emigrantes que han logrado arribar a Barcelona, tierra de promisión, con la ingenua esperanza de que en esta ciudad, “archivo de la cortesía, albergue de los extranjeros, hospital de los pobres, patria de los valientes, venganza de los ofendidos y correspondencia grata de firmes amistades, y en sitio y en belleza, única” (Cervantes dixit), los protegerían y les darían la oportunidad de estudiar y trabajar. Pero la Generalitat, que ha gastado millones en las 18 embajadas que montó en otros tantos países para difundir la opresión que vive Cataluña por el Estado español, no tiene recursos ni para pagarles habitaciones en esos tugurios del Raval –nombre más elegante que el de Barrio Chino de toda la vida.

Estos menores viven la misma situación de los inmigrantes adultos encerrados en los centros de internamiento de extranjeros (CIE) por no tener los papeles en regla. No son delincuentes y por tanto no pueden detenerlos, pero lo hacen. Encerrados en lugares peores que cárceles.  Porque los retienen en calabozos, cubículos de pocos metros cuadrados, con tres literas cada uno –lo escribo con conocimiento de causa- que no disponen de más aseo que un váter.

Jesús García de El País informa que “el área de custodia de los Mossos está en la planta -1 de la Ciudad de la Justicia, que alberga los juzgados de Barcelona. Es un calabozo. Se accede a través de una puerta barrada. Hay dos tipos de celdas, aunque idénticas: unas para los menores que han delinquido —aporrean la puerta y exigen, en árabe y español, que les dejen salir— y otras para los menores “bajo protección”. Duermen sobre delgadas colchonetas azules, como las de los gimnasios escolares. No pueden salir y el teléfono móvil se les requisa. Dos mesas para jugar al parchís y a las damas rompen la monotonía de una sala donde pasan las horas”.

“Hay menores que llegan a pasar aquí 100 horas, más que el tiempo máximo que cualquier persona puede estar detenida[72 HORAS]. Al estar con la puerta cerrada, muchos sufren ataques de ansiedad. Golpean las puertas y hay que reducirles. También se han peleado entre ellos”, explica una funcionaria.

Los chicos acuden por su propio pie a las comisarías de los Mossos o son localizados en la calle y llevados ante la policía. Su primer destino es la Ciudad de la Justicia. Se les abre una ficha y se les practican las pruebas (de muñeca o mandíbula) para determinar que, efectivamente, tienen menos de 18 años. Se les ofrece un bocadillo y un zumo. Desde el primer minuto se avisa a la DGAIA, que debe activar el mecanismo para buscarles plaza. “El procedimiento está tasado y es rápido. En cuestión de horas se resuelve. No tendrían que estar en celdas ni dormir aquí siquiera una noche”, admite Francisco Tabuenca, fiscal de menores de Barcelona.

Tabuenca es autor del informe que ha hecho emerger el problema. Los menores pasan un tiempo “excesivo” (más de tres días, en algunos casos) en el área de custodia, donde no reciben “la atención y protección integral que merecen”. Los calabozos solo pueden acoger como a 20 chicos y en los últimos meses se han quedado pequeños, por lo que se les ha trasladado a la planta baja del edificio de la Fiscalía, donde “duermen en colchones” en la sala de espera “para atender la llegada de público en general”, denuncia el fiscal. Así pasan las noches, en las mismas colchonetas y tapados con una manta naranja, hasta que la DGAIA les encuentra sitio en un “centro de protección”.

La DGAIA, de siniestro recuerdo, depende de la Consellería de Asuntos Sociales donde reinan la consellera y las funcionarias de Esquerra Republicana de Cataluña desde que José Montilla en 2006 alcanzara la Presidencia de la Generalitat y firmara un pacto contra natura en un gobierno tripartito con el PSC y ERC.  Las conselleras y las funcionarias que han gestionado desde entonces la atención a los menores y adolescentes se han comportado como los personajes de Dickens en Oliverio Twist, David Cooperfield, La Pequeña DorritLos Papeles de Mr. Pickwick, que describieron magistralmente la crueldad de la sociedad inglesa del siglo XIX con los niños y niñas.

La Consellería de Asuntos Sociales de ERC se ha dedicado a vigilar estrechamente a las madres pobres, prostitutas, solas, sin recursos, para declarar a sus hijos en abandono y arrebatárselos. Sobre todo cuando son bebés o de pocos años. Mientras las gitanas rumanas pedían limosna sentadas en la calle con bebés en el regazo, sin que nadie hiciera nada ni por ellas ni por sus bebés, la DGAIA se dedicaba a perseguir a las madres pobres con residencia y alojamiento en Cataluña.

Las asistentes sociales, fieles cómplices que por ello cobran, hacen informes denigratorios de las madres desamparadas, y las psicólogas, fieles cómplices que por ello cobran, hacen informes denigratorios de las madres desamparadas diagnosticándolas como enfermas mentales, inestables emocionalmente e incapaces de ocuparse de sus hijos. En consecuencia, la DGAIA se los incauta, los encierra en centros de acogida y muchas veces las madres no vuelven a verlos.

Los centros de acogida son empresas privadas, como en toda España, que pertenecen a los complejos empresariales que obtienen la concesión, entre los que destaca el de Florentino PérezUn buen negocio rentable, si pensamos que por cada niño la Consellería paga 4.000 euros mensuales. Cuando las madres, pobres, desamparadas e ignorantes, pueden recurrir a un abogado –la mayoría no saben ni que tienen derecho a justicia gratuita- se enteran de que los han entregado en adopción. Ya sabemos que las adopciones están muy buscadas.

En consecuencia, teniendo tantos niños pequeños “en abandono”, a los que hay que alojar en los centros de acogida, la DGAIA no puede atender a los menores emigrantes que arriban a la anhelada ciudad de Barcelona: archivo de la cortesía, albergue de los extranjeros, hospital de los pobres, patria de los valientes, venganza de los ofendidos y correspondencia grata de firmes amistades, y en sitio y en belleza, única” (Cervantes dixit).

No puede atenderlos porque no le interesan ni a la Consellera, tan ocupada como está con apoyar el procés y la independencia de Cataluña, ni a las funcionarias, tan ocupadas como están haciendo informes para quitarles los niños a las madres pobres y desamparadas. No les interesan porque no son bebés ni tan pequeños que sirvan para adoptarlos. No les interesan porque a esa edad nadie va a quererlos, son extranjeros, y no hablan ni español ni catalán.

Son un estorbo y cuesta dinero mantenerlos. Por eso se les encierra en un calabozo sin luz natural y se les da un bocadillo y un jugo de naranja. Así durante cuatro, cinco días, hasta que la Consellera y las funcionarias encuentran algún hueco en algún lugar que desconozco. Y de ellos no se vuelve a saber nada más.

Tras la denuncia del fiscal, la DGAIA emitió una nota en la que admite que se ha visto desbordada por el “alud de llegadas” en julio, agosto y septiembre. Anunció que había adecuado unas “instalaciones más confortables”, también en la Ciudad de la Justicia: la tercera planta de la Fiscalía, una sala semivacía y con luz natural. Pero la juez decana de Barcelona, Mercè Caso, paró la iniciativa porque el espacio “no reúne ninguna garantía ni para su salud ni para su seguridad”. Caso recuerda que solo hay un baño (compartido con el público) y que los educadores tuvieron que abrir las ventanas para ventilar, una “maniobra prohibida” por riesgo de caídas.

Caso alerta de que los menores vienen directamente de la calle y no se ha garantizado “su salud ni su adecuada higiene”. Y recuerda que “vienen de situaciones muy complejas, con un importantísimo grado de tensión y con una experiencia vital de enorme violencia”. En una entrevista, la decana subraya que el uso de los calabozos por tiempo prolongado también es “inaceptable”. “Son menores, no delincuentes, la DGAIA debe protegerles desde el momento en que son localizados, no es una tarea ni de los Mossos ni de la Fiscalía”.

La información de que dispongo dice que “Aunque el problema viene de lejos, la denuncia de jueces y fiscales ha activado algunos resortes. La DGAIA ha anunciado su intención de ubicarles en un edificio no judicial pegado a la Ciudad de la Justicia, mientras que en los últimos días se está evitando que los chicos duerman en las celdas.”. ¿Y saben ustedes cómo se consigue eso? Pues ya no se les dan colchonetas para dormir en los pasillos, sino que se les hace esperar en los bancos de la sala de espera.

Menos mal que la Consellería de Asuntos Sociales de Cataluña y la DGAIA están regidas por ERC, el partido más demócrata, más independentista y más republicano.

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