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Angola: O Ensino Primário em Angola no século XIX

Publicado Originalmente en Jornal de Angola por Filipe Zau(*)  el 27 de Setembro, 2011

A 10 de Outubro de 1864, uma portaria assinada pelo ministro da Marinha e Ultramar, José da Silva Mendes Leal, referia o seguinte: “Sendo as escolas primárias o alicerce e a base da instrução pública e um agente de civilização que, pelo seu influxo nos progressos humanos, deve merecer a mais esmerada solicitude e aturados desvelos a todas as autoridades, manda Sua Majestade El-Rei, pela Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar, que o governador-geral da província de Angola, tomando na maior consideração quanto respeita a este assunto.

A 10 de Outubro de 1864, uma portaria assinada pelo ministro da Marinha e Ultramar, José da Silva Mendes Leal, referia o seguinte: “Sendo as escolas primárias o alicerce e a base da instrução pública e um agente de civilização que, pelo seu influxo nos progressos humanos, deve merecer a mais esmerada solicitude e aturados desvelos a todas as autoridades, manda Sua Majestade El-Rei, pela Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar, que o governador-geral da província de Angola, tomando na maior consideração quanto respeita a este assunto, frequentemente, inspeccione e faça inspeccionar as escolas da província, para que nelas se cumpra o que determinam as leis, que de instruções convenientes, formule os regulamentos respectivos, faça as recomendações oportunas e adopte todos os meios eficazes para que nas ditas escolas se estabeleça um regime carinhoso e atractivo, que trate ao mesmo tempo de instituir pequenos prémios para os alunos que se distinguirem e, finalmente, que acerca de tudo isto informe assiduamente, bem como no que se refere ao mérito, capacidade e diligência dos professores”.

No dia 25 de Janeiro de 1865, o governador-geral acusava recepção da portaria, comprometia-se a envidar todos os esforços e a utilizar todos os meios que estivesse ao seu alcance, para executar as ordens que havia recebido. De certo modo, a partir de meados do século XIX, a política portuguesa começou a modificar-se. Isto porque partiu do princípio que, educando os autóctones na base de uma mentalidade europeia, melhor preservava as colónias. Por outro lado, verificou que a perseguição às missões, levantava outro tipo de problemas, que não deixavam de se reflectir no conjunto dos problemas nacionais. Nesta conformidade, em 1871 chegaram a Angola os primeiros cinco sacerdotes goeses, dos 23 sacerdotes indianos que, naquela altura, exerceram actividade missionária em Angola.

A 3 de Junho de 1876, o Dr. Alfredo Troni, ilustre advogado de Luanda, recebeu a incumbência de inspeccionar as escolas da cidade, por parte do governador-geral Caetano Alexandre de Almeida e Albuquerque. Devia informá-lo sobre o conhecimento e competência dos mestres, métodos de ensino adoptados, grau de aproveitamento dos alunos, estado físico das escolas, condições oferecidas pelos edifícios, utilização prática dos meios de que cada escola dispunha… Alfredo Troni, autor da novela “Nga Mutúri” faleceu na cidade de Luanda em 1904, tendo deixado o nome ligado ao desenvolvimento cultural angolano. Em 1913, os seus herdeiros fizeram a entrega de 3.273 volumes da biblioteca particular de seu pai para serem incorporados ao recheio da Biblioteca Municipal da cidade de Luanda.
Poder dizer-se que a escola secundária existia, teoricamente, em Angola, desde 14 de Agosto de 1845, através da Escola Principal de Luanda. Na prática, era uma escola de ensino primário complementar, com vocação profissional, pois estava dirigida à preparação de futuros professores. O seu programa previa o ensino da Gramática Portuguesa, Geometria, Desenho e Escrituração Comercial. Desde 1772, funcionava também neste estabelecimento de ensino, com bastante irregularidade, a aula de latim, também conhecida por aula de gramática latina, especificamente frequentada por aqueles que desejavam seguir a vida eclesiástica. Esta escola veio mais tarde a alargar o leque de disciplinas, passando também a ministrar, francês ou inglês, História Universal, geografia mundial, matemática, física e economia política. Mas foi nesta fase que mais decaiu, chegando, a dada altura, a fechar portas, apesar de haver professores em exercício.

Em 1867, foi nomeada uma comissão encarregada de elaborar o regulamento para a Escola Principal de Luanda, chegando mesmo a pensar-se em estabelecer um internato, que permitisse ministrar a instrução e fornecer alimentação e meios de ensino a todos os alunos em situação de carência. “Apontava o interesse que tinha para o país a difusão da língua portuguesa, prejudicada pelo uso corrente dos idiomas nativos, sobretudo a língua bunda, que exercia profunda influência social.” Por outro lado, havia muitas crianças com dificuldade na aquisição de material escolar, algumas delas órfãs.

Se considerarmos colono, o indivíduo que sai da Europa com a intenção de viver permanentemente na colónia – não sendo portanto, soldado, degredado ou membro do serviço colonial – podemos então entender que a colonização portuguesa em Angola não começou antes de meados do século XIX (1849-1851), altura em que cerca de 500 “brasileiros” chegaram ao porto de Moçâmedes (Namibe). No entanto, isso aconteceu por se ter dado, entre 1847-1848, uma insurreição armada na cidade brasileira de Pernambuco. Angola, segundo Gerald Bender, não era, naquela altura, suficientemente atractiva para os portugueses vindos da Europa ou do Brasil. Logo, para que este primeiro processo de colonização pudesse resultar com alguma eficácia, teve o governo de usar métodos de intervenção directa, fornecendo passagens grátis para Angola. Uma vez chegados, era-lhes dado terra, habitação, animais, sementes e subsídios. A este processo chamou-se “colonização dirigida”. De entre as causas impeditivas do desenvolvimento do ensino em Angola, ainda em meados do século XIX, está certamente a escravatura, a dominação espanhola, a carência de um plano, a falta de acção dos governantes e a expulsão dos religiosos. Também para o laxismo colectivo em Portugal, na primeira metade do século XIX, haviam antes concorrido as invasões francesas, a divulgação das ideias liberais, a independência do Brasil, as guerras civis e as sucessivas revoluções que se registaram. Mas, sobretudo, deve realçar-se que a grande maioria dos emigrantes que partiram de Portugal para Angola eram em regra gente de baixo nível moral, com muitos degredados à mistura – massa rude, inculta, analfabeta, boçal, ambiciosa e cruel. Um exemplo deste facto aparece numa citação do governador e comandante-geral de Angola de 1764 a 1772, Sousa Coutinho: “ [Devemos] proibir, de uma vez para sempre, as penas que sobrecarregam este reino com prostitutas e degredados da pior espécie, [porque] a experiência de mais de dois séculos mostra que tais embarques foram inúteis e muitas vezes perigosos; (…) os seus vícios ganham raízes, gostam da ociosidade, estragam a sua saúde e morrem depressa. E através deste excesso da adversidade as suas mortes tornam-se mais úteis que as suas vidas.”

Um outro exemplo aparece na descrição de Joachin Monteiro, sobre Luanda, entre 1860-1870:

“Os mais selectos espécimens de facínoras e assassinos de grande quilate são enviados para Luanda para serem tratados com a maior consideração pelas autoridades. Ao chegarem à costa, alguns são alistados como soldados, mas aos assassinos mais importantes geralmente dá-se-lhes dinheiro e cartas de recomendação, para lhes garantir a sua liberdade instantânea, e eles começam por abrir tabernas, etc, onde roubam e vigarizam, tornando-se em poucos anos ricos e independentes e mesmo personagens influentes”.

Segundo Orlando Ribeiro, “Angola foi o principal lugar de degredo: no final do século XIX os degredados representavam 12 por cento da população branca, vivendo em Luanda numa liberdade surpreendente; muitos eram proprietários de casas de comidas. Nunca foi por diante o projecto de criar na Huíla uma colónia penal agrária. Só em 1932 cessou a remessa de condenados, umas vezes trabalhadores úteis, outras vezes, ociosos e turbulentos. Um relatório do governador-geral Sebastião Lopes de Calheiros e Meneses, datado de 31 de Janeiro de 1862, apresenta-nos, de certa forma, uma proposta de estratégia de desenvolvimento para Angola, de acordo com o pensamento da época. Atendendo ao facto deste relatório se nos apresentar um pouco longo, achámos por bem, retermo-nos apenas na sua parte final: “ (…) se é conveniente aceitar e aproveitar a instituição e autoridade dos sobas, é preciso também educá-los e aos seus macotas; é indispensável aportuguesá-los e, como meio poderoso de o conseguir, devemos ensinar-lhes a ler, escrever e contar, em português. Saibam português, quanto possível o grande de um sobado, que os pequenos o irão aprendendo. Se Portugal não pode, quase com certeza, criar aqui uma nação da sua raça, como criou do outro lado do Atlântico, ao menos eduque um povo que fale a sua língua e tenha mais ou menos a sua Religião e os seus costumes, a fim de lançar mais este cimento da causa da civilização do mundo e de tirar depois mais partido das suas relações e esforços humanitários. Dêmos, pois, aos pretos boas autoridades na pessoa dos chefes, bons mestres e directores nas pessoas dos padres, não imponhamos aos sobas senão a obrigação de dar soldados para a força militar e de ensinar a ler, escrever e contar a seus filhos e aos seus parentes e macotas, e deixemos que o tempo, a Religião e a instrução façam o seu dever.”

Em 1863, chegou a haver em Angola, 24 escolas primárias públicas, mas em 1869, o número baixaria para 16. De entre as principais razões, que contribuíram para o fracasso do ensino primário em Angola, podemos apontar as seguintes: “O perfil de saída dos alunos que frequentavam as escolas primárias era efectivamente fraco; os estudantes que se encontravam motivados para dar continuidade aos seus estudos acabavam por esmorecer e desistir; os conhecimentos adquiridos estavam desajustados das necessidades do meio, daí a escola não se tornar atractiva; as autoridades minoravam os problemas existentes, chegando a nomear professores sem que houvesse alunos.”

Em 1864, foi editada pelo angolano Manuel Alves de Castro Francina e por Saturnino de Sousa Oliveira, que tinha desempenhado a missão de cônsul-geral de Brasil, em Angola, a obra intitulada “Elementos Gramaticais da Língua N’Bundu”, que se dizia, na altura, ser o único compêndio gramatical de que se dispunha, para fazer o estudo do idioma qimbundo, vulgarmente designado naquele tempo por “idioma angolense”. Saturnino de Sousa e Oliveira organizou também um vocabulário da língua qimbundo, que foi editado pela Imprensa Nacional.

A 16 de Novembro de 1868, uma portaria ministerial aprovava a decisão do governador-geral, quanto à educação dos dois filhos do barão de Cabinda, Manuel José Puna, serem educados por conta do Estado. Ainda de acordo com Martins dos Santos, “este mostrou-se ser sempre muito dedicado a Portugal; deve-se-lhe em boa parte a integração das terras do enclave e distrito de Cabinda no conjunto do património territorial português, quando se desenrolou a famosa questão do Zaire. Abre-se aqui um parêntesis para, de acordo com Orlando Ribeiro, referir que “a República Democrática do Congo, nasceu de um conceito teórico de Geografia Política: um Estado tende a ocupar uma bacia hidrográfica e a buscar saída para o mar. Com 2.331.000 quilómetros quadrados é o mais vasto país da África negra, embora a bacia do Congo se estenda por 3.700.000 quilómetros. Para buscar um corredor de acesso ao Atlântico separou-se Cabinda do resto de Angola e o ex-Zaire, afinal, foi belga na margem direita e apenas na esquerda permaneceu português. Manuel José Puna havia sido educado no Rio de Janeiro a expensas do Governo de Portugal, já depois da independência do Brasil, o que aconteceu com outros naturais de Angola. Deslocou-se a Lisboa, em visita aos filhos, talvez em 1871, tendo sido gentilmente hospedado pelo monarca. Recebeu o baptismo na capital portuguesa, apadrinhando o acto o rei D. Luís e a rainha D. Maria Pia.”

Uma outra portaria ministerial de 3 de Dezembro do mesmo ano, comunicava que os dois educandos já haviam chegado a Lisboa e sido “confiados a um dos melhores estabelecimentos do ensino particular da capital portuguesa, a Escola Académica. Mais tarde regressaram às suas terras e exerceram as funções de professores do ensino primário. Um deles, Vicente Puna, mostrou possuir qualidades aceitáveis, ao contrário do irmão, João Puna, cujo comportamento mereceu críticas e até castigos.” Este último acabou por ser exonerado compulsivamente por ter sido acusado “de não cumprir as suas obrigações, abandonando a escola e dando mau exemplo de decoro e dignidade, não apresentava qualquer resultado do seu trabalho, pois lhe faltavam elementos indispensáveis para exercer o cargo, tendo qualidades más que dizia não ser capaz de coibir”.
Ainda por volta de 1868, Moçâmedes (Namibe), segundo dados oficiais da época, tinha 1.211 habitantes, sendo 837 escravos, 99 libertos e 275 indivíduos livres. Destes últimos, havia 210 pessoas de cor branca, os restantes eram negros ou mestiços. Já Luanda, segundo dados referentes a 18 de Janeiro de 1856, só em escravos tinha 14.124 que, segundo Martins dos Santos, “o comentador da situação reconhecia que era altamente desproporcional à população livre da cidade.”

* Ph. D em Ciências da Educação e Mestre em Relações Interculturais

Imagen tomada de: http://cdn2.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/files/highlight/2015/11/53/0,68e0d36f-3407-4f42-8522-f513cd49da15.jpg

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Mongolia: Los sindicatos de docentes presionan al Gobierno para que impulse la inversión en educación

Publicado originalmente en Internacional de la Educación el 20 de mayo del 2016

Los sindicalistas de la educación de Mongolia instan a las autoridades públicas nacionales a aumentar la financiación del sistema educativo en el marco de una iniciativa para mejorar la calidad de la educación y hacer que la educación para todos sea una realidad.

El llamamiento para aumentar el gasto en educación se hizo durante la celebración de una mesa redonda conjunta organizada a finales de abril por la afiliada de la Internacional de la Educación (IE) Federation of Mongolian Education and Science Unions (FMESU), junto con asociados de la Coalición Educación para Todos.
Se contó con la participación de más de 50 personas, entre ellos representantes de organizaciones de la sociedad civil y organismos gubernamentales, que debatieron ideas en torno al tema de la Semana de Acción Mundial por la Educación (SAME) 2016, “Financiando el futuro: por más recursos para el derecho a la educación”.
Promesa del Gobierno
Los participantes insistieron en que el Gobierno tiene que cumplir su promesa y aumentar el presupuesto de educación para conseguir una educación pública de calidad a lo largo de los próximos 15 años, que es precisamente el objetivo de la agenda “Educación 2030” de la FMESU.
En su discurso de presentación, el Presidente de la FMESU Jalkhar Batzorig instó al Gobierno a invertir 90.000 millones de de tugriks mongoles (cerca de 39 millones de euros) en educación, un compromiso que había contraído en 2015.
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Educación y personalización

A fuerza de asimilar muchas voces va apareciendo una voz personal, dice Enrique Vila-Matas a Jordi Corominas en esta entrevista.

Lo personal es humano, la personalización no. Así de contundentes se muestran David Weinberger y Doc Searls en su nueva versión del influyente Manifiesto Cluetrain. En ese mismo tono se expresaba Audrey Watters en The problem with Personalization: “Personalized learning isn’t personal learning”, que podríamos traducir como “aprendizaje personalizado no es aprendizaje personal.”

A classroom scene with teacher Mabel Adams and students. circa 1898-1899

La personalización es, sin duda, una palabra de moda. No hay actividad, servicio o producto que no reclame hoy su cuota de personalización. En el ámbito de la educación, además de estar de moda, es importante. Parece impensable hablar de educación y no hacerlo de personalización. Ministros, políticos, profesores, académicos, expertos, empresarios y emprendedores, no estoy tan seguro sobre los alumnos, reclaman como suyo el discurso de la personalización.

Pero ¿qué entendemos por aprendizaje personalizado?. ¿Es lo mismo aprendizaje personalizado que enseñanza personalizada o que educación personalizada? ¿Es posible una educación personalizada en el marco de la educación obligatoria? ¿Es posible una educación que garantice la igualdad y sea personalizada al mismo tiempo? ¿Es compatible la personalización con el aumento de las ratios alumnos/profesor?

¿Cuál es la relación entre eficiencia y personalización? ¿De quién es hoy la agenda de la personalización? ¿A quién beneficia? ¿Qué papel desempeña en esto la tecnología? ¿Apostar por la personalización nos pone en suerte de las empresas tecnológicas? ¿O en manos de los adláteres del Big Data?

¿Es la personalización una tarea individual o una empresa colectiva? ¿Es lo mismo personal que individual? ¿y aprendizaje personalizado que aprendizaje individualizado? ¿Se puede aprender sin otros? ¿Cuál es la relación entre personalización y diversidad? ¿Nos lleva la personalización en brazos de la desescolarización? o, por el contrario, ¿en la Era de la personalización necesitamos más que nunca de la Escuela?.

No son pocos quienes como Michael Feldstein afirman que en realidad la personalización del aprendizaje no significa nada, que es un término redundante. Aprender es hacer nuestro algo, asimilar una experiencia, un hecho o un dato. Por lo que todo aprendizaje es personalizado. Pero no toda educación es personalizada y no toda la enseñanza es personalizada. Quizá sea de esto de lo que estamos hablando. De enseñanza personalizada. De educación personalizada.

Personalización parece ser lo opuesto a estandarización. Y su bandera se enarbola casi siempre contra un supuestamente homogéneo sistema educativo tradicional, un modelo de educación industrial, fabril, prusiano dicen unos, transmisivo otros. Una educación bancaria como la definió Paulo Freire y que aún hoy predominaría en la mayoría de las aulas del mundo. Pero de nuevo el problema es que tampoco parece que tengamos claro qué significa educación industrial. La educación fabril, como bien nos ha explicado Mike Caulfield, fue en realidad una respuesta al interés por la educación personalizada.

Horace Mann School for the Deaf records. ca 1890-1900

Horace Mann School for the Deaf. ca 1890-1900

Siempre hemos querido personalizar la educación. En 1905, John Dewey ya criticaba “la pasividad de actitudes, la masificación mecánica de los niños, la uniformidad en el programa escolar y en el método.” Y señalaba que el problema estaba en que “el centro de gravedad está fuera del niño, que está en el maestro, en el libro de texto, … por todas partes donde queráis, excepto en los niños y en las actividades inmediatas al niño.”

El pensamiento de Dewey inspiró el movimiento de reforma educativa de principios del s. XX que buscó la personalización del aprendizaje a través de dos grandes corrientes. Por un lado los que pretendían preparar mejor a los jóvenes para el mundo laboral aumentando la eficiencia en los procesos de aprendizaje; por el otro, aquellos preocupados por una enseñanza centrada en los alumnos, en grupos pequeños y con un aprendizaje individualizado. Dos tendencias, que volvieron a ser protagonistas en las décadas de los 60s y 70s, y que han perdurado hasta hoy como bien ha explicado Larry Cuban.

En 1996, el Informe Delors, insistía en la necesidad de la personalización: “la educación tiene la misión de permitir a todos sin excepción hacer fructificar todos sus talentos y todas sus capacidades de creación, lo que implica que cada uno pueda responsabilizarse de sí mismo y realizar su proyecto personal”.

La historia de la reforma educativa de los últimos 100 años es, de hecho, el intento de aunar personalización y socialización. Deberíamos ser capaces de reconciliar los ideales individuales con los institucionales, decía Dewey en su Credo pedagógico. La “socialización de cada individuo y [el] desarrollo personal no deben ser dos factores antagonistas. Hay pues que tender hacia un sistema que se esfuerce en combinar las virtudes de la integración y el respeto de los derechos individuales”, afirmaban por su parte en el citado Informe Delors.

Printing, teacher, Miss Christine Kincaide. Horace Mann School. 1891

Printing, teacher, Miss Christine Kincaide. Horace Mann School. 1891

Para el Glossary of Education Reform, el término personalización se refiere “a una amplia variedad de programas educativos, experiencias de aprendizaje, métodos de enseñanza y estrategias de apoyo académico que tienen por objeto atender las diferentes necesidades de aprendizaje, intereses, aspiraciones y antecedentes culturales de los estudiantes individuales.”

Así entendida, la personalización nos obligaría a repensar el sistema educativo. Muchos de los elementos básicos de la educación tradicional: la escuela, el año escolar, la clase, la estructuración por edades, la lección, la pizarra y el profesor delante de una clase de treinta niños, se han convertido en obstáculos para el aprendizaje personalizado.

La educación personalizada nos devuelve al intenso debate sobre la escolarización obligatoria que tuvo lugar en las décadas de los 60’s y 70’s (Jon Igelmo). En estos últimos años los movimientos críticos con el sistema educativo han cobrado de nuevo protagonismo, aunque quienes ahora defienden su disminución o su desmantelación distan mucho de ser un grupo homogéneo. En sus filas encontramos desde las propuestas de laecopedagogía de Richard Khan a las iniciativas de emprendedores e inversores como Peter Thiel y sus becas que promueven el abandono de los estudios universitarios.

De los 6 posibles escenarios de futuro para la educación identificados por la OCDE en 2001, dos planteaban una continuación de los modelos existentes (Mantenimiento del status-quo), otros dos preveían un fortalecimiento de las escuelas (Re-escolarización) y los dos últimos pintaban un futuro con un descenso significativo del protagonismo de las mismas (Desescolarización). No son pocos los que desde la defensa de la personalización sostienen en realidad una profunda crítica al sistema educativo obligatorio que ha caracterizado las últimas décadas.

Algunos autores llevan tiempo señalando que el principal riesgo de la personalización es el aumento de la desigualdad. Para Charles Leadbeater “la personalización es una potente pero controvertida idea, que podría ser tan influyente como la idea de privatización lo fue en los 80’s y 90’s para la remodelación de los servicios públicos en todo el mundo.”

Horace Mann School for the Deaf. 1893

Horace Mann School for the Deaf. 1893

La educación personalizada y la equidad sólo serán compatibles cuando los recursos estén disponibles de manera equitativa. Cuanta más personalización introduzcamos en el sistema más recursos públicos deberemos invertir para compensar las desigualdades.

Trabajar por la personalización nos exige asegurar no solo la disponibilidad de los recursos en los contextos escolares sino sobre todo en los entornos familiares y sociales. Algo que, por cierto, ya señaló hace años Pierre Bourdieu (Bourdieu, Pierre & Passeron, Jean-Claude. Los herederos) y que, como nos han recordado hace muy poco Joaquín Rodríguez hablando de Alemania y Kavya Vaghul sobre Estados Unidos, sigue siendo un tema importante.

Una de las principales razones que explica el interés en los últimos años por la personalización es el fuerte desarrollo de las tecnologías de la información. Si, hasta ahora, hablar de educación personalizada, más allá de la que podía suceder en un aula entre un alumno y un profesor, era algo que caía más bien del lado de la utopía, la transformación que estamos experimentando en el ámbito de la producción y difusión del conocimiento hacen que, por primera vez, parezcan alcanzables algunos de los retos históricos de la educación como la personalización (Horizon 2015). Una de las frases más escuchadas en los últimos tiempos es que “la tecnología puede ayudar al sistema educativo a ir más allá del modelo fabril de educación y empoderar a los estudiantes, profesores y padres mediante un aprendizaje personalizado”. Una vez más la tecnología es vista como la palanca para el cambio educativo. En este caso, a través de la personalización y el aprendizaje centrado en el alumno.

Los defensores de la personalización a través de la tecnología sostienen principalmente dos argumentos: el itinerario y el ritmo: Los alumnos aprenderían más, nos dicen, si tuviesen más control sobre lo que aprenden (su itinerario de aprendizaje) y sobre cuándo y a qué velocidad aprenden (su ritmo de aprendizaje).

Para muchos, la personalización está vinculada a los dispositivos y a los datos. Y su fortaleza se encuentra en la capacidad para analizar esos datos. Algo que, de hacerlo, dicen sus defensores, nos permitiría no solo mejorar el proceso de aprendizaje individual sino también el colectivo (el aula, la escuela, el sistema educativo).

Michael Fullan y Katelyn Donnelly mantienen que el concepto y la práctica extrema de la personalización podríaacarrear el riesgo de limitar nuestra exposición a lo diverso y lo extraño. La personalización sería a la larga limitadora e iría en contra de aquello que parece que más necesitemos en estos momentos: capacidad de reconocer e integrar lo diferente, lo distinto, lo variado, lo extraño y lo periférico.

Classroom of Miss Kate Hobart. 11 de noviembre de 1892

Classroom of Miss Kate Hobart. 11 de noviembre de 1892

Tampoco todo el mundo parece estar de acuerdo sobre los beneficios de que sean los alumnos los que elijan qué y a qué ritmo aprender. Benjamin Ryley nos recordaba que el conocimiento es acumulativo y que los alumnos deben saber ciertas cosas antes de embarcarse con otras nuevas. Sería un error “colocar a los niños ante la responsabilidad de fijar la velocidad de su aprendizaje, sobre todo durante los primeros años de su educación. ”

Y no son pocos los que mantienen que con el aprendizaje adaptativo no estamos realmente desafiando ni los objetivos, ni el curriculum de la educación tradicional. Tan solo estamos conduciendo a los estudiantes hacia esos objetivos de una manera más eficiente.

Y aunque nos faltan datos concluyentes sobre su impacto real sobre el aprendizaje, tampoco parece que éste mejore. Sus críticos sostienen que el aprendizaje adaptativo funcionan bien con el conocimiento procedimental pero no con el declarativo, ni con el desarrollo del pensamiento estratégico ambos imprescindibles en la sociedad de hoy. El debate es intenso (aquí, aquí, aquí y aquí) y nos recuerda que en educación nada es blanco o negro, que debemos buscar el tono de gris adecuado para cada contexto y que más que respuestas debemos ser capaces de hacernos buenas preguntas.

Charles Leadbeater sostiene que la única manera de plantearnos una alternativa al aprendizaje tradicional radica en ser capaces de combinar las agendas de la personalización, la colaboración entre centros y la implicación de la comunidad educativa. “La personalización a través de la participación hace posible la conexión entre lo individual y lo colectivo al permitir a los usuarios una participación más directa, informada y creativa en reescritura del guión mediante el cual el servicio que utilizan está diseñado, planificado, servido y evaluado.”

Por su parte, Jim Devine afirma que en 2030seguiremos viviendo, como hoy, en una cultura de la escuela porque nos habremos dado cuenta de la importancia de estar juntos físicamente en un mundo por otro lado hiperconectado, donde mucho de lo que haremos como individuos o como grupos no estará unido a ningún sitio concreto ni tampoco limitado a un tiempo determinado.” La individualización, continua Devine, “será una realidad en todas las facetas de la vida, y para nuestros hijos significará un plan de estudios personalizado con énfasis en la motivación a través del aprendizaje activo y experimental, combinando actividades individuales y en equipo”.

El paradigma del aprendizaje del futuro será altamente personalizado pero también altamente social al menos durante los años críticos del desarrollo de los niños”, algo que él llama aprendizaje personalizado pero juntos.

Classroom of Mabel Adams with 9 Children. ca 1890-1900

Classroom of Mabel Adams with 9 Children. ca 1890-1900

Sanna Jarvela, por su parte, distingue entre personalización e individualización, sosteniendo que personalización no es lo opuesto a aprendizaje social.

El término como vemos es complejo y polisémico. No significa lo mismo para todos. Es muy probable que tú y yo no queramos decir lo mismo cuando hablamos de personalización. De hecho puede significar casi cualquier cosa y el problema con los términos que pueden significar cualquier cosa es que corremos el riesgo de que al final no signifiquen nada. O, peor, que no sepamos qué quieren decir nuestros interlocutores y malinterpretemos su mensaje. De ahí la importancia de hacernos preguntas. De ahí la necesidad de no aceptar sin más los discursos y de acercarnos siempre con una mirada crítica que atienda a las aristas y a los detalles.

La personalización, entendida como una educación centrada en cada alumno, ha sido practicada siempre por los buenos profesores. Quién puede sostener que el aprendizaje no necesita estar centrado en el alumno y responder a sus demandas y necesidades y atender a las diferencias y a la diversidad. Quién no va a estar de acuerdo con la afirmación de que el aprendizaje tiene que ser una experiencia personalizada y no estandarizada y que los alumnos tienen que ser dueños de su propio aprendizaje.

Pero la agenda de la personalización tiene problemas sin resolver: semánticos, tecnológicos e incluso pedagógicos. Mal usada puede ser un arma de doble filo y el riesgo de que el discurso de la personalización provoque una fractura social y un aumento de la desigualdad es demasiado alto para no considerarlo. Al final, la pregunta que debemos hacernos es qué tipo de educación queremos y para qué.

Debemos preguntarnos si queremos un sistema que responda a lo que nos diferencia o uno construido sobre lo que tenemos en común. Si queremos un sistema que responda no solo a lo que pasa sino sobre todo a lo que nos pasa (Antonio Lafuente).

Early grade classroom scene with teacher Kate Hobart and students. 1904

Early grade classroom scene with teacher Kate Hobart and students. 1904

Pensemos en la Escuela como un lugar donde nuestros hijos van a aprender con los demás. Como un lugar de ciudadanía y un lugar para la innovación social. Pensemos en la educación no sólo como una inversión en busca de eficiencia sino como la mejor manera para que un alumno sea en el futuro un buen ciudadano. Luchemos por salvaguardar los valores primordiales de la equidad, la accesibilidad y la responsabilidad social. Trabajemos por un Escuela centrada en los alumnos, con un aprendizaje personalizado pero colectivo.

Trabajemos por la personalización sí, pero juntos y para todos.

Todas las fotos pertenecen al archivo de la Ciudad de Boston y provienen del Commons de Flickr de la Escuela Horace Mann para sordos, fundada en 1869 con el objetivo de dar una educación de calidad a las personas sordas y con dificultades de audición. En la actualidad sigue funcionando.

Todas las fotos tienen una licencia Creative Commons de reconocimiento.

Este artículo se publicó originalmente en el Boletín Scopeo nº105 en septiembre de 2015

Fuente: Educación y personalización

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Africa: Se construirá la primera escuela de secundaria de Baasneere, en Burkina Faso

www.elperiodic.com/02-05-2016/

Que las niñas y los niños de Baasneere, en Burkina Faso, África, tengan una oportunidad para su desarrollo educativo. Este es el objetivo de la primera escuela de educación secundaria que se empezará a construir el próximo mes de septiembre gracias a un proyecto de cooperación liderado por la ONG local Algemesí Solidari con la colaboración del Programa 0,7 Una Nau de Solidaritat de la Universitat de València, así como otras instituciones y entidades voluntarias.

El problema del analfabetismo en Burkina Faso, un país a la cola mundial en desarrollo, es una lacra que arrastra la población desde decenios y que obstaculiza, entre otros factores, su crecimiento. De alguna manera, supone un pilar de su estancamiento económico, político y social. Según los últimos datos del Index Mundi, solo el 46% de los niños entre 0 y 14 años está escolarizado.

En el caso concreto de Baasneere, una población de unos 10.000 habitantes situada en el Centro-Norte del país, en la provincia de Sanmatenga, e integrada por numerosos poblados diseminados, no hay centros ni de infantil ni de secundaria, únicamente siete escuelas de primaria. Al acabar este periodo educativo, que abarca de los 6 a los 12 años, los jóvenes se tienen que desplazar entre 30 y 40 kilómetros para continuar los estudios en la capital, Kaya, o en la ciudad de Kongousi. Así pues, “para los niños que todavía no han accedido a la edad de escolarización, la calle se convierte en la maestra principal; mientras que para aquellos que superan ya el tiempo previsto para la alfabetización básica, solo queda la opción de viajar a alguna capital”, dice Carmel Ferragud, profesor de la Universitat de València y miembro de la comisión de Algemesí Solidari para la construcción de la escuela de secundaria en Baasneere.

“Si el país no consigue alfabetizar a un número más elevado de niños y niñas no habrá manera de salir del círculo de la pobreza”, afirma el profesor, quien explica que, ante la imposibilidad del Gobierno burkinés para crear escuelas, las infraestructuras educativas dependen realmente del “tejido de las ONG” que operan en Burkina Faso. “El Estado aporta el profesorado, el personal docente, pero la infraestructura depende del esfuerzo exterior porque, sencillamente, no hay dinero”, reconoce Ferragud.

La ejecución del proyecto de la construcción de la primera escuela de Baasneere tiene una duración prevista de seis años, lo cual será posible gracias, por un lado, a la cantidad de instituciones y entidades implicadas: la ONG Algemesí Solidari, responsable de la iniciativa, junto con la entidad burkinesa A3B Association ‘Buud-Bumbu de Bao/Baasneere’ pour le Developpement et l’Amitie entre les Peuples; el despacho de arquitectos ‘Hac 90 Arquitectes’, en colaboración con la Cátedra UNESCO de Arquitectura en Tierra y la Universitat Politècnica de València; y el Programa 0,7 Una Nau de Solidaritat que gestiona la Fundació General de la Universitat de València; y, por otro, a la viabilidad de la propuesta. En este sentido, Carmel Ferragud explica que, en primer lugar, el proyecto nace desde el corazón de la misma población, quien expresa la necesidad de acoger este centro; la ONG Algemesí Solidari dispone de los recursos humanos y materiales necesarios para la realización de la escuela; y el apoyo financiero comprometido alcanza la práctica totalidad de las previsiones de las primeras fases de formación y construcción. Además, la nueva escuela supondrá un revulsivo para la economía de la zona, puesto que la mano de obra, después de recibir la formación adecuada, será local.

La primera fase arrancará el próximo mes de septiembre. Según describe el profesor de la Universitat de València, se llevará a cabo una estrategia de construcción en módulos. “El primer módulo consiste en dos aulas. El sistema constructivo por el que hemos optado se fundamenta en el valor de la arquitectura vernácula, totalmente sostenible para emplear materiales propios del terreno como el bloque de adobe compactado o BTC; pero, además, estamos desarrollando en Valencia y en Algemesí una investigación para constatar los sistemas de creación de muros y vueltas con los materiales de la zona”, añade Ferragud.

Sin más dilación, este verano la ONG ha organizado un campo de trabajo para que jóvenes valencianos, en colaboración con jóvenes de Baasneere, disfruten durante 12 días de actividades educativas y de ocio con los más pequeños de la localidad, un taller que empezó en 2014 y que ahora se presenta como la antesala de la mejora educativa de los poblados.

El Programa 0,7 de la Universitat de València

El Programa 0,7 Una Nau de Solidaritat (http://links.uv.es/5wev1In), que convoca el Vicerrectorado de Internacionalización y Cooperación de la Universitat de València, está dirigido por la Comisión 0,7, creada en 1995 con la misión de establecer las líneas generales de actuación en materia de cooperación al desarrollo de la Universitat de València; distribuir el presupuesto 0’7 -que se obtiene del 0’7% del presupuesto de la Universitat, así como con carácter voluntario del 0’7% de las nóminas de su personal y de las tasas de matrícula de sus estudiantes- entre los diversos programas de cooperación; controlar y supervisar este presupuesto; y preparar y resolver convocatorias de proyectos propios de cooperación.

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La educación liberadora de Paulo Freire

www.telesurtv.net/02-05-2016/
A 19 años de la partida física del educador brasileño Paulo Freire, su pensamiento pedagógico continúa vigente.

En palabras de Paulo Freire la educación «es un proceso de conocimiento, formación política, manifestación ética, búsqueda de belleza, capacitación científica y técnica».

Freire es reconocido como uno de los pedagogos más influyentes de América Latina. Promovió una educación humanista dirigida a integrar al individuo a la realidad nacional.

«La práctica educativa es todo esto: efectividad, alegría, capacidad científica, dominio técnico al servicio del cambio», sostenía Freire.

Entre sus obras destacan La educación como práctica de la libertad, Educación y cambio, y La pedagogía del oprimido. Esta última fue la base de su propuesta educativa.

Desde esta perspectiva definió la educación como un proceso destinado a la liberación y el desarrollo de la conciencia crítica. «La gran tarea humanista e histórica de los oprimidos: liberarse a sí mismos y liberar a los opresores».

Para Freire la alfabetización era la mejor vía para la liberación. Gran parte de su carrera la dedicó a alfabetizar a los adultos. Sus propuestas también influyeron en las nuevas ideas liberadoras de América Latina.

Cinco frases para recordar a Paulo Freire

1. «Enseñar exige seguridad, capacidad profesional y generosidad».

2. «No hay palabra verdadera que no sea unión inquebrantable entre acción y reflexión».

3. «Nadie educa a nadie —nadie se educa a sí mismo—, los hombres se educan entre sí con la mediación del mundo».

4. «Todos nosotros sabemos algo. Todos nosotros ignoramos algo. Por eso, aprendemos siempre».

5. «El hombre es hombre, y el mundo es mundo. En la medida en que ambos se encuentran en una relación permanente, el hombre transformando al mundo sufre los efectos de su propia transformación».

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Africa: «¿Qué te hace feliz?». Las respuestas de las niñas de Burkina Faso le harán un nudo en la garganta.

www.ecoportal.net/28-04-2016/

«Estoy contenta cuando puedo comer 3 veces al día» o «lo que me hace feliz es poder comer ensalada alguna vez», han sido algunas de las conmovedoras respuestas que muestran la realidad del país africano.

La Fundación Amigos de Rimkieta, que ayuda a los más indefensos de Rimkieta, uno de los barrios más pobres de Ouagadougou, capital de Burkina Faso, realizó este mes de marzo una charla personalizada con cada una de las 20 niñas de la cuarta promoción del proyecto de ‘Formación de niñas sin escolarizar’. Las conversaciones giraron en torno a esta pregunta: «Y a ti, ¿qué te hace feliz?».

«Estoy contenta cuando puedo comer 3 veces al día», responden Collete y Larissa, de 8 y 11 años respectivamente. «Lo que me hace feliz es poder comer ensalada alguna vez», afirma Bintou, de 8 años. «Cuando me dejan una muñeca para jugar un rato soy feliz», indica Saibata, de 8 años. «Lo que me hace feliz es poder ser escolarizada y tener el material escolar para estudiar«, apunta Julienne, de 10 años. «Ser la primera en clase y que me regalen una libreta para hacer los deberes (tareas) me hace feliz», contesta Latifatou, de 9 años.

«La mayoría de estas respuestas están en otro plano, en el de necesidades tan elementales que no se nos ocurre que sean las respuestas que se darían en nuestra sociedad», escribe la organización en su blog.

Asimismo, la Fundación planteó la cuestión «¿Qué te pone triste?» y la respuesta más recurrente (10 de las 20 niñas) fue la siguiente: «Me pongo triste cuando me pegan en casa». «El hambre«, «Cuando mi abuela no me puede comprar el desayuno» o «Cuando saco malas notas», fueron otras de las contestaciones obtenidas.

En relación al remedio que utilizan las menores para poner fin a esta tristeza, «trabajar bien en el colegio», «obedecer en casa» y «hacer las tareas del hogar que me piden para que no se enfaden conmigo y así no me peguen», fueron algunas de las soluciones.

Ecoportal.net

www.amigosderimkieta.org

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4.4 millones de mexicanos sin acceso a la educación

www.elciudadano.cl/25-04-2016/

La educación y la cultura son derechos humanos como la salud, la vivienda y la alimentación, y México aún está en deuda con los 4.4 millones de analfabetas mayores de 15 años, señaló el rector de la UNAM, Enrique Graue Wiechers.

La educación y la cultura son derechos humanos como la salud, la vivienda y la alimentación, y México aún está en deuda con los 4.4 millones de analfabetas mayores de 15 años, señaló el rector de la UNAM, Enrique Graue Wiechers.

Durante la inauguración de la Fiesta del Libro y la Rosa 2016, que este año conmemora los 400 años del aniversario luctuoso de Miguel de Cervantes Saavedra, William Shakespeare y del inca Garcilaso de la Vega, aseguró que leer nos hace conscientes de la realidad de nuestros semejantes, nos permite acceder a otros puntos de vista, ejercita nuestro espíritu y nos enseña a ser libres e iguales.

Por ello, destacó, queda pendiente atender a esos 4.4 millones de mexicanos que no saben leer ni escribir. Son “nuestros molinos de viento reales y debemos combatirlos”, sostuvo.

Por ello, consideró que toda iniciativa que invita a leer, a presentación de libros, coloquios internacionales de lectura y al encuentro de nuevos escritores, es siempre una buena noticia y motivo de celebración, dijo.

Vía Dirección General de Comunicación Social de la UNAM

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